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BANCA. Auditores independentes denunciaram irregularidade na maioria do balanço dos bancos. E justificam com ‘violação’ às regras de contabilidade internacional para economias hiper-inflacionárias. ABANC e associados, juntos, protestam o parecer. Banco BIC garante ter aplicado norma, mas pela metade.

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A maioria do balanço dos bancos, relativo a 2017, está a levar ‘nota negativa’ dos auditores independentes por incumprimento das regras de contabilidade internacional, que obriga a elaboração das demonstrações financeiras dentro dos critérios para economias hiper-inflacionárias, quando o Banco Nacional de Angola (BNA) e a Associação Angolana de Bancos (ABANC) pensam o contrário.

De acordo com os auditores, a taxa de inflação acumulada dos últimos três anos aproximou-se ou ultrapassa os 100%, com a possibilidade de que, no ano que corre, a taxa venha cumulativamente a exceder, colocando deste modo Angola na lista das economias com hiperinflação.

Até à semana passada, já tinham sido publicadas as contas de, pelo menos, cinco bancos: BAI, o Banco BIC, Prestígio e Sol, todos com reservas dos auditores independentes. O BFA também apresentou as contas de 2017, com o parecer do auditor independente semelhante aos das demais entidades bancárias. 

Para os auditores das várias companhias contratadas pelos próprios bancos, os indicadores de inflação e demais elementos previstos na regra de contabilidade, designada IAS 29, levaram a concluir que a moeda funcional das demonstrações financeiras, a 31 de Dezembro, corresponde à moeda de uma economia hiper-inflacionária.

“Nestas circunstâncias, o banco deveria ter apresentado as suas demonstrações financeiras, naquela data, atendendo àquela premissa e de acordo com as disposições previstas naquela norma, as quais estabelecem também a reexpressão das demonstrações financeiras do exercício anterior, apresentadas para efeito comparativo”, lê-se na nota do auditor KPMG, anexada às contas do BAI. Textos mais ou menos semelhantes encontram-se nas contas de balanço dos bancos Sol, BIC e Prestígio, assinadas, respectivamente, pela UHY Auditores e Consultores, PKF e Ernest Young.

Bancos protestam

Numa nota publicada no seu ‘website, a ABANC protestou, considerando que a “norma não estabelece uma taxa absoluta em função da qual se considere [que Angola possa] estar perante uma situação de hiper-inflação”.

“Após uma análise cuidada da situação, a ABANC conclui que não concorda com a decisão tomada pelas empresas de auditoria”, escreveu o organismo, em nota assinada pelo presidente de direcção, Amílcar Silva.

Um administrador do BAI admitiu, ao VALOR, que a aplicação da norma teria impacto sobre o balanço dos bancos, sobretudo no imobilizado. “O tamanho do balanço iria crescer devido aos efeitos da inflação. Existem outros impactos. Não é só sobre o imobilizado, mas é um exemplo do porque é que o activo dos bancos iria crescer”, disse o gestor, que pediu anonimato.

BIC cumpre parte da regra

Também o presidente do Banco BIC, Fernando Teles, considera, à semelhança dos seus pares associados da ABANC, que a economia angolana “ainda não é hiper-inflacionária”. Apesar disso, Fernando Teles revelou, na semana em que apresentou as contas de 2017, que o seu banco já aplicou 90% das normas para uma economia hiperinflacionária. “Não aplicámos tudo o que obriga à hiperinflação (...). Faltam-nos as reavaliações dos activos. Mas as reavaliações dos activos e no imobiliário provocariam um aumento, por um lado, do activo, e, por outro lado, uma reserva de reavalição que vai directamente à situação líquida”, considerou o gestor, que prevê aplicar parte das normas ainda este ano.

Last modified on quinta, 10 maio 2018
 

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