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BANCA. Montante corresponde ao total do crédito malparado negociado até agora com o estatal BPC e um banco privado que, a pedido dos seus administradores, não quer aparecer nas estatísticas. Destes 320 mil milhões, 55% vem do BPC. Recredit não avança situação de particulares com dívidas.

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A entidade criada para gerir os empréstimos malparados da banca nacional, a Recredit, garante já ter negociado processos avaliados em 320 mil milhões de kwanzas do Banco de Poupança e Crédito (BPC) e de um banco privado, de acordo com o presidente do organismo, Vicente Leitão.

O VALOR sabe que o total do malparado em negociação pela Recredit está avaliado em 500 mil milhões de kwanzas, 320 mil milhões dos quais já estão ‘despachados’. Mas o número do malparado de toda a banca é ainda maior, segundo o líder da entidade que gere os activos tóxicos dos bancos.

Destes 320 mil milhões de kwanzas, 55% são do BPC, que, aliás, detém a maior carteira do malparado do sistema, apenas seguido por um banco privado, cujo nome a Recredit preferiu ‘esconder’ a pedido dos seus responsáveis.

A Recredit define por “resolução do malparado” as transferências do encargo ou dívida dos clientes para a sua gestão. Ou seja, os 320 mil milhões de kwanzas negociados correspondem ao valor dos activos tóxicos que passam agora para o controlo da Recredit.

Constituída pelo Estado em Maio do ano passado, com uma capitalização equivalente em dólares a dois mil milhões, a Recredit definiu como estratégia inicial a negociação da dívida junto dos bancos ou particulares individuais com os quais tenha acordo de compra do malparado, desde o valor em dívida a modalidades de liquidação.

Vicente Leitão disse, em Novembro do ano passado, que a Recredit “recorre à utilização de critérios que, por um lado, avaliam a qualidade jurídica dos processos, e, por outro, a qualidade económica e financeira, e é no conjunto desses factores” que encontra um “critério final” de negociação com os bancos.

Um dos critérios utilizados na negociação de dívida é, por exemplo, a possibilidade de os particulares discutirem venda de “activos tóxicos” à Recredit. Ou seja, além das empresas, os particulares podem, junto da Recredit, negociar empréstimos que não consigam pagar.

Até Novembro de 2017, estavam sob avaliação processos de dívidas de 12 clientes particulares. “Os particulares ou mutuários podem dirigir-se à Recredit, expondo os seus processos e, no caso de o banco credor estar aberto a negociá-los, o processo é desencadeado. Há mutuários que já deram este passo”, garantia Vicente Leitão, em finais do ano passado.

Dinheiro ‘perdido’ gera hipoteca

As famílias e empresas que tenham contraído empréstimos nos vários bancos, sobretudo no BPC, BDA e BCI, cujo financiamento não tenha gerado activo económico, correm o risco de perder os bens que deram como garantias no acto do contrato, de acordo com a Recredit.

O mecanismo de execução de garantias foi apresentado no ano passado, num encontro com jornalistas em que se explicou as linhas de actuação da Recredit. Segundo a entidade, a estratégia será aplicada caso se prove ou se conclua que o dinheiro tomado pelo cliente “seja irrecuperável, ou quando se tiverem esgotados todos os mecanismos de recuperação do crédito”. “Para os créditos que não tenham gerado valor económico, vamos executar as garantias.

Aqui não há perdão de dívida”, determinara Vicente Leitão, durante um pequeno-almoço promovido pela Recredit, no ano passado.

 

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