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SEGUROS. Apesar de nunca adiantarem valores, seguradoras vão dando sinais de que a dívida às resseguradoras começa a ser insustentável. Regulador garante ajudar com divisas, mas as soluções não saem do papel. Gestores do negócio exigem a concretização de promessas com implementação do Ango-Re.

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Várias seguradoras nacionais, com dívidas no resseguro, correm o risco de paralisar, nos próximos tempos, devido à persistente escassez de divisas e a “cada vez menos solução” para a liquidação dos encargos junto dos parceiros internacionais.

O alerta foi lançado pelo presidente do segundo maior grupo segurador nacional, a Saham Angola. Paulo Bracons acrescenta que as dificuldades “não se limitam ao pagamento às resseguradoras”, mas também a outros prestadores como fornecedores às agências de análise de risco e de IT. “A situação [da dívida] preocupa-nos, pois as dificuldades do pagamento de resseguro podem levar alguns operadores importantes a abandonar o mercado e, mesmo com a criação de uma resseguradora nacional, vamos precisar de resseguradoras internacionais credíveis que nos apoiem em caso de necessidade”, alerta Paulo Bracons, prevendo “dias difíceis”.

O maior grupo financeiro pan-africano e segundo maior ‘player’ em Angola tem apostado no pagamento de dívidas recorrendo a reservas. “Estamos a priorizar ao máximo todos os pagamentos, utilizando (com dificuldade) algumas (poucas) reservas em moeda estrangeira e potenciando os pagamentos de sinistros de resseguro, que são feitos em moeda estrangeira pelos resseguradores”.

A Nossa Seguros também se ressente da crise, mas é “mais nos grandes riscos”, admite o presidente Carlos Duarte, estimando entre 10 e 12 milhões de euros as necessidades cambiais da empresa para este ano. “Temos conseguido honrar os nossos compromissos sem constrangimentos maiores, porém temos mais dificuldades nos grandes riscos que envolvem operações de resseguro facultativo – associados aos grandes riscos - edifícios, aeronaves, instalações industriais e outros”, explica. “Naqueles casos em que há uma exposição elevada a determinados riscos, em termos de concentração, frequência ou severidade, esse risco é repassado para o mercado internacional de resseguro. E aqui começa o nosso problema: a falta de liquidez cambial que a economia enfrenta para fazer face a esses compromissos com o mercado ressegurador, comprometendo as garantias de ressarcimento aos segurados em caso de sinistros graves ou adversidades maiores”.

No BIC Seguros, por se tratar de um operador novo, a dívida “não é tão avultada”, desvaloriza Fátima Monteiro. A PCA, sem adiantar valores, garante que, em relação a 2017, a companhia tem por pagar apenas o quarto trimestre. “Comparativamente às companhias mais antigas, os valores da nossa dívida são razoáveis, mas também vamos contando com a compreensão e apoio dos nossos parceiros. Só trabalhamos com resseguradoras de primeira linha, que entendem a situação do país e colaboram.”

À espera da Ango-Re

Em Dezembro, a Agência Angolana de Regulação e Supervisão de Seguros (ARSEG) manifestou-se “preocupada” com a dívida com as resseguradoras. Num encontro com as companhias, apelou a que se fizesse um levantamento de todas as situações pendentes autorizadas com vista a regularizar os pagamentos junto das empresas de resseguro no exterior.

Por outro lado, existe um consenso entre os intervenientes do sector sobre a necessidade de se persistir com a implementação da empresa de resseguros Ango-Re, uma iniciativa pública, há muito defendida pela ARSEG.

De acordo com cálculos da agência, a entrada da Ango-Re iria permitir a retenção de 500 milhões de dólares – cerca de 50% do negócio das seguradoras que é ressegurado no estrangeiro – reduzindo, por isso, a pressão sobre as reservas externas.

Falta apenas a remarcação da data para o arranque da Ango-Re, já que, até 31 de Dezembro, a ARSEG rompeu com os prazos para a institucionalização dessa entidade.

Grande parte das seguradoras garante trabalhar com as resseguradoras da primeira linha internacional em que se destacam a Munich Re, SCOR, Allianz, África Re e a Swiss-Re.

 

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