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FINANCIAMENTO. Dados actualizados do boletim estatístico do BNA colocam a agricultura no sétimo lugar dos sectores que mais absorveram crédito em 2016, com mais 27%, mas não supera o comércio a grosso e a retalho, que lidera a lista do crédito à economia, desde 2012. Analistas explicam a subida no crédito para a agricultura com “melhoria” nos projectos.

Agricultura 38

Os bancos comerciais cederam, até 31 de Dezembro do ano passado, 219.157 milhões de kwanzas de empréstimos ao sector agrícola e de produção animal, um avanço de quase 27%, contra os 172.841 libertados em igual período anterior, revelam os números actualizados do boletim estatístico do Banco Nacional de Angola (BNA).

O montante libertado para a Agricultura coloca o sector mais próximo dos segmentos Particular, Construção, Outros Serviços Colectivos e da Indústria Transformadora, alinhados, respectivamente, pelo tamanho do crédito recebido, mas é ainda quase quatro vezes mais baixo do montante cedido ao Comércio a grosso e retalho, que ‘engoliu’ dos bancos os expressivos 840.654 milhões de kwanzas, num grupo de 18 sectores.

O boletim estatístico do banco central é omisso quanto à justificação do salto de 27% para 219.157 milhões de kwanzas no crédito ao sector agrícola e de produção animal, mas a tendência de evolução, de 2012 a 2016, leva analistas a argumentarem, ao VALOR, com a possibilidade de “melhorias” e “mudanças sazonais” na actuação e preparação dos projectos por parte dos investidores.

Até Dezembro de 2012, a classe ‘Agricultura, Produção Animal, Caça e Silvicultura’ tinha absorvido, da tesouraria dos bancos comerciais, 74.348 milhões de kwanzas. Este valor passou, no ano seguinte, a 81.512 milhões, marcando um pulo de quase 10%, precisamente 9,6%.

A tendência prossegue em 2014 e 2015, com 131.539 milhões e 172.841 milhões de kwanzas, respectivamente. Em Dezembro do ano passado, quando o banco central actualiza o boletim, o crédito ao sector fixou-se nos 219.157 milhões.

O consultor financeiro Galvão Branco lembra, por exemplo, que os bancos “não são instituições de doação de créditos”, o que exige ao empreendedor uma “melhor arrumação dos projectos, nos casos de o investidor se candidatar a empréstimos junto da banca.

“Os bancos orientam os seus créditos de acordo com o perfil de risco do projecto. Ou os bancos melhoraram os projectos, ou alguém estará a assegurar o risco destes créditos”, comenta Galvão Branco, para quem a agricultura e construção de infra-estruturas devem andar “à mesma velocidade”.

O sector da agricultura, é várias vezes apontado por economistas e analistas financeiros como o “futuro da economia angolana” e válvula de escape à excessiva dependência do petróleo, assim como a construção. Aliás, nos 10 grandes objectivos nacionais de política económica do programa de governo do presidente eleito nas eleições de 23 de Agosto privilegia o investimento na agricultura.

Mas as políticas de alocação dos fundos sempre relegaram o sector agrícola para o mais baixo dos lugares na alocação de fundos públicos. Até mesmo no Orçamento Geral do Estado (OGE) deste ano, a Agricultura absorve, por exemplo, 25.115, 8 milhões de kwanzas, para programas de investimentos e de apoio ao desenvolvimento, além das despesas correntes, valor quase 12 vezes mais baixo que os fundos destinados à Construção, que fica com uma considerável fatia de 309.825,5 milhões.

Mais subsídios à agricultura

Apesar de avançar 27%, outro analista, o investigador financeiro independente Ivan Negro considera que o sector carece ainda de “mais subsídios”, além do próprio financiamento que, na sua visão, deve aumentar.

“O sector carece de subsídios de modo a ajudar os agricultores a investirem na modernização das suas explorações e em novas culturas, fazendo crescer a agricultura nacional”, sugere o analista, que critica a inexistência de dados estatísticos internos que mostrem a eficácia e robustez dos projectos de investimentos.

“O investimento no sector agrícola e agro-alimentar têm estado em destaque na economia nacional, mas não existem dados estatísticos com robustez para medirmos a eficácia dos projectos e do valor do investimento”, sublinha.

Ao analisar o crescimento do crédito, considerou que o mesmo pode estar relacionado com uma “mudança sazonal” no paradigma de preparação dos projectos, assim como nas políticas de créditos dos bancos.

“Espero, sinceramente, que os bancos nacionais estejam a apostar no crescimento do sector, apostando no financiamento de projectos agrícolas, mas com soluções específicas para tesouraria, crédito ao investimento, linhas de crédito ligadas aos programas definidos pelo governo”, defendeu o investigador.

 

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