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CRÉDITO. Atraso na formalização de garantias faz com que, até ao mês de Julho, tenham sido cabimentados apenas 36 créditos dos 116 projectos já aprovados.

Kikas Machado

O Banco de Desenvolvimento de Angola (BDA) aprovou, de Janeiro a Julho do ano em curso, mais de 116 projectos ligados à linha de crédito de apoio ao empreendedor ‘PROJOVEM’, adiantou ao VALOR o director nacional das políticas juvenis do Ministério da Juventude e Desportos, Kikas Machado.

Esclarecendo que as responsabilidades do Ministério se limitam à criação das políticas e as do BDA à aprovação e coordenação dos projectos, Machado avançou que quinzenalmente são aprovados 25 projectos que posteriormente são encaminhados ao Banco de Comércio e Indústria (BCI).

Até ao momento, os projectos aprovados representam 14 das 18 províncias do país espera-se que, com a sua implementação, poderão criar em conjunto cerca de 973 novos postos de trabalho, representando um volume de receitas na ordem dos 6.691 milhões de kwanzas.

Segundo os documentos a que o VALOR teve acesso, os projectos contratados serão financiados com um montante de 2.050 milhões de kwanzas, o que corresponde a 45,5 por cento da dotação. Sobre as garantias fornecidas pelos promotores, os dados declaram que estas estão dentro dos parâmetros definidos pela linha de crédito com um período de carência de 0, 12, 30 e 60 meses.

Entre os projectos aprovados, o comércio lidera com 58, seguido do sector de prestação de serviço com 44, agricultura e pecuária com seis cada um. A indústria e transformação aparecem com seis e cinco, enquanto as pescas tiveram apenas dois projectos, o que totaliza 83 de um conjunto de 116.

Do montante aprovado para financiar os projectos, o comércio absorveu 1.071 milhões de kwanzas, contra os 674 milhões destinados ao sector de serviços. A agricultura beneficiou de 195 milhões, a indústria de 59 milhões, menos nove que as pescas, perfazendo 2.050 milhões de kwanzas.

Aprovados no sexto e sétimos comités de crédito, os projectos inscrevem uma perspectiva de desembolso de 278 milhões de kwanzas para o sector do comércio, 136 para a prestação de serviço, 10 milhões para a indústria, 40 para as pescas, fixando-se em 463 milhões de kwazas, com a agricultura a ficar de fora.

O montante médio para estes projectos vai de 9,8 milhões para a indústria, 15,3 para o sector de serviços, 18,5 para o comércio e 32,5 para a agricultura, contra os 25,0 milhões dedicados às pescas, perfazendo uma media de 17,7 milhões de kwanzas por cada área.

Entretanto, o presidente do conselho de administração (PCA) do BDA, Manuel Neto da Costa, fez saber, na passada segunda-feira, 22, aquando da assinatura de mais um acordo de financiamento, com a empresa Angola Cables e a Sociedade Agro-industrial Tango, que o programa regista uma grande adesão por parte dos jovens empreendedores nas 18 províncias.

O gestor não precisou o valor disponibilizado até ao momento, referindo que o PROJOVEM é um programa do Executivo financiado pelo BDA, através do Fundo Nacional do Desenvolvimento, que estabelece como meta de idade dos beneficiários, dos 18 aos 40 anos.

No caso das sociedades cujos sócios são menores de 18 anos e maiores de 40 anos, o problema é revisto em sede no regulamento, que remete a avaliação das candidaturas ao banco operador, no caso o BCI, não sendo, à partida, garantida a aprovação dos créditos.

Por se tratar de um empréstimo, o programa estabelece como valor máximo de crédito 40 milhões de kwanzas, e implica a devolução do dinheiro concedido com juros. Por seu turno, o professor universitário Nelson David Lucoqui considerou haver poucos projectos de cariz inovador, por isso entende que o programa não venha a atingir os objectivos preconizados, referindo que as várias iniciativas viradas ao empreendedorismo são boas.

O docente sublinhou, entretanto, que a falta de conhecimentos profundo das áreas em que os beneficiários apostam acaba por inviabilizar os projectos, ao referir que não basta financiar, sendo preciso antes formar e depois acompanhar o desenvolvimento dos negócios.

“Muitos que recebem o dinheiro acabam por não aplicá-lo no sector para o qual solicitaram o crédito”, lamentou, considerando que, apesar de ter sido “bem concebido”, o ‘Angola Jovem’ apresenta resultados não animadores.

Nelson Lucoqui defende ainda que a disponibilização das verbas deve obedecer ao critério real de cada área em que se quer investir, exigindo um estudo de viabilidade que deve ser confrontado no terreno. “Quem investe numa hamburgaria não deve beneficiar do mesmo montante de quem aposta numa indústria transformadora”, exemplificou, ao concluir que se para um basta 500 mil kwanzas para o outro até 40 milhões é uma ‘gota no oceano’.

O “PROJOVEM” visa apoiar o empreendedorismo juvenil, promover a formalização de pequenos negócios sustentáveis e dar oportunidades para a inclusão económica e social aos jovens.

São projectos elegíveis a produção de vegetais, comércio a grosso e a retalho, a consultoria, a aquacultura, a venda de equipamentos, os serviços de infantário e creches. A criação de bovinos, a distribuição e comercialização de medicamentos, os serviços de lar de idosos, a criação de caprinos e suínos e a produção de aves entram nas contas, além das quitandas de peixe e carne e a hotelaria e turismo.

 

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