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POLÍTICA MONENTÁRIA. Dois especialistas explicam ao VALOR as razões e implicações de curto prazo do corte de dois pontos percentuais à taxa da facilidade de absorção de liquidez. Amílcar Silva e Yuri Quixina concordam que a culpa é da falta de liquidez. Mas a medida gera incerteza quanto à inflação.

 

O Comité de Política Monetária (CPM) do Banco Nacional de Angola (BNA) decidiu baixar para 5,25% a taxa de juro da facilidade permanente de absorção de liquidez, um corte de dois pontos percentuais face aos anteriores 7,25%, no que constitui a quarta mexida desde Janeiro de 2016, de acordo com um comunicado do organismo, disponível na página do banco central.

A taxa de juro da facilidade permanente de absorção de liquidez (TFPL) é um dos vários instrumentos de política monetária que o banco central utiliza para controlar os níveis de liquidez na economia, seja pelo aumento, seja pelo enxugamento da massa monetária em circulação, além de ser utilizado na necessidade de atrair os bancos a fazer depósitos junto do banco central, dependendo das remunerações. Ou seja, quando a taxa de juro da facilidade permanente de absorção de liquidez é elevada, os bancos ganham mais, quando é baixa, o retorno dos depósitos é igualmente baixo.

Esta é a quarta vez, desde Janeiro de 2016, que o CPM altera a TFPL. De Janeiro a Fevereiro do ano passado, a taxa estava fixada em 1,75%, sendo que, de Março a Julho, a taxa foi alterada para 2,25%. De lá a Maio deste ano, a taxa deu um salto de cinco pontos percentuais (pp) para 7,25%, até à última mexida do dia 30 deste ano, fixada em 5,25% (ver gráfico).

A redução de 2 pp à anterior TFPL sinaliza que, nos últimos meses, semanas ou dias, houve contracção das disponibilidades em moeda nacional nos bancos comerciais, nas empresas e até nas famílias. Esta possibilidade é defendida por Yuri Quixina, consultor e analista económico, que considera ser estratégia do regulador mexer na taxa de absorção pela necessidade de liquidez no mercado.

“A grande interpretação que podemos fazer é que o banco central quer que a banca conceda crédito. Quer que a banca não guarde dinheiro.

O BNA quer que, efectivamente, se conceda crédito às famílias ou a outros bancos”, explica o economista. Das várias conclusões de Yuri Quixina, o aumento da liquidez no mercado ganha maior acento, porque, segundo justificou, “se o BNA quisesse tirar liquidez, iria aumentar essa taxa, para atrair os bancos a fazer depósitos no banco central”. “É interesse do BNA aumentar liquidez na economia. O BNA acha que, de facto, os kwanzas estão a desaparecer e agora quer reverter a política (…). Quem guardar dinheiro no BNA vai ter retorno de nada.

Então, os bancos não vão deixar lá o dinheiro, preferem ‘emprestar’ ao cidadão, ou emprestar a outro banco”, sublinha Quixina, para quem a estratégia é também mecanismo para ajudar bancos em situação de aperto. O comunicado saído da reunião de 30 de Maio, o CPM não justifica sobre a alteração à TFPL, nem sobre a manutenção das outras taxas, designadamente a taxa básica de juro (Taxa BNA), em 16%, e a taxa de juro da facilidade permanente de cedência ‘overnight’ de liquidez, para 20 %, ao ano.

BANCÁRIOS JUSTIFICAM-SE COM LEILÕES DE DIVISAS

O presidente da Associação Angolana de Bancos (ABANC), Amílcar Silva, arrisca outras possibilidades e exemplifica com a compra pelos bancos, de Janeiro a Abril, de cerca de 1,3 mil milhões em divisas, nos leilões do banco central, o que poderá estar na base da fraca liquidez em kwanzas nos bancos e da redução da taxa de juro de absorção de liquidez para 5,25% .

“Como durante os primeiros quatro meses do ano, até Abril, o BNA vendeu à volta de um bilião e 300 mil de divisas, ficou um bocado de dinheiro nos bancos, ou já não fazem pressão sobre as divisas, e o BNA baixa a taxa (…). Entendendo que os níveis de liquidez são estáveis, e que há pouca pressão sobre as divisas, o banco central baixa a taxa de juro da facilidade permanente de absorção de liquidez”, explica Amílcar Silva, um dos mais antigos bancários do país.

MEDIDA ALTERA INFLAÇÃO

Apesar de a medida tender para o aumento do crédito à economia e, por esta via, devolver liquidez ao mercado, o especialista Yuri Quixina receia que o mecanismo altere a trajectória descendente da inflação, justificado com a teoria económica de que “quanto maior poder de compra, maior alta nos preços”.

“Mas esta magnitude não é suficientemente elevada para influenciar o aumento da inflação. Ou seja, não é suficientemente elevada para fazer com que as pessoas tenham muito dinheiro e procurem por muitos bens e serviços. Mas, se, de facto, a tendência é conceder liquidez na economia, a tendência é ter uma trajectória de alta nos preços”, remata Quixina.

 

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