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BANCA. Prejuízo de quase 30 mil milhões de kwanzas no balanço do ano passado não trava alargamento do activo da entidade em 26,2%, o maior de toda a banca. O resultado líquido negativo deriva da constituição de 72,7 mil milhões para o crédito perdido e da prevenção de futuras perdas. A administração do banco apresenta nova estratégia.

 

O Banco de Poupança e Crédito (BPC) é o único entre os cinco maiores em activos que fechou o balanço de 2016 com perdas, que ficaram avaliadas em 29,5 mil milhões de kwanzas, as primeiras nos últimos 16 anos, de acordo com os vários relatórios do banco desde 2001 e buscas do VALOR.

A administração do banco liderado por Ricardo d’Abreu justifica as perdas com a constituição de 72,7 mil milhões de kwanzas para o crédito perdido (por imparidades) e provisões para eventuais perdas. “Esta iniciativa será reforçada em 2017, com o intuito de assegurar o saneamento efectivo da carteira de crédito do banco e atingir um rácio de transformação abaixo dos 70,0%”, explica um documento que resume a situação patrimonial da instituição, nos 12 meses do ano passado.

Se os resultados líquidos fecham negativos, o activo do banco suportado pelo Estado faz caminho inverso. De acordo com um quadro síntese da situação financeira do banco, o activo líquido situou-se nos 1,6 biliões de kwanzas, precisamente 1.691,1 mil milhões. Ou seja, houve um crescimento de 26,2% face às margens alcançadas em 2015, apenas de 1,3 biliões. Este valor volta a reforçar a liderança do BPC no ‘ranking’ dos cinco maiores em activos. Assim, a lista dos ‘Big five’ fica integrada pelo BPC (1,6 biliões), o Banco Angolano de Investimento (BAI), com 1,4 biliões de kwanzas, afastando o Banco de Fomento Angola (BFA) do segundo lugar, agora no terceiro, com 1,3 biliões.

O Banco BIC, com mais de um bilião, e o Millennium Atlântico, com 948,4 mil milhões, fecham o ‘ranking’ de 2016. No documento que compila a situação patrimonial do ano passado, o novo conselho de administração, sob a gestão de Ricardo d’Abreu, não esconde as actuais condições do banco. “A situação financeira do Banco é desafiante. Em resultado do processo de saneamento e reestruturação, o conselho de administração do banco procurará recuperar os prejuízos registados no Exercício de 2016 agora apresentado”, afirma a equipa de Ricardo d’Abreu, nomeada há pouco menos de 60 dias, pela assembleia-geral de accionistas do banco. Apesar das perdas e do mau momento operacional do BPC, a nova gestão considera que há “indicadores positivos que reflectem o papel do banco no sistema financeiro angolano”, desde a confiança dos clientes a dos accionistas.

De acordo com o banco, a confiança dos clientes é traduzida pelas margens de depósitos, que, segundo os números saídos do último exercício financeiro, aumentaram em mais de 12%.

A par dos clientes, estão os accionistas – Estado, com 75%; Instituto Nacional de Segurança Social, com 15%; Caixa de Segurança Social das Forças Armadas Angolanas (FAA), com 10% – que reforçaram a confiança à gestão do banco, com reforço dos fundos próprios em mais 26,9%.

MELHORIAS NA OPERAÇÃO

As operações do dia-a-dia, traduzidas no crescimento das margens financeiras e do produto bancário, também mereceram destaque do novo ‘board’ do banco, por registarem, de Janeiro a Dezembro, subidas de 24,8% e 8,5%, respectivamente, apesar da redução em 19,9% das margens complementares.

Não escapou à avaliação dos gestores o crescimento do activo líquido, nem o aumento em 7,9% da base de clientes, num período conturbado para o banco, devido às várias movimentações na administração do banco, em espaço de tempo reduzido.

“Estes indicadores reforçam a importância da instituição, sobretudo o papel do BPC como um elemento de suporte à soberania de Angola, constituindo-se num activo determinante para a consolidação e diversificação da nossa economia”, congratulam-se os gestores de topo do banco, em referência aos números do exercício do balanço de 2016.

Recapitalização é para continuar

A nota do banco a que o VALOR teve acesso diz que, de acordo com os princípios de avaliação recomendados pelos accionistas, pela entidade de supervisora, pelo comité de monitorização do saneamento e reestruturação do BPC e as boas práticas internacionais, o “conselho de administração irá concentrar os seus esforços na implementação efectiva do Plano de Recapitalização e Reestruturação do banco”, baseado no aumento do capital social, no montante de 90 mil milhões de kwanzas.

A venda da carteira de saneamento à Recredit (entidade criada para gerir o malparado do banco e similares), “efectuada por contrapartida de obrigações do tesouro, com o valor de 231 mil milhões de kwanzas”, e a “emissão de instrumentos de dívida subordinada convertível elegíveis para fundos próprios base, no valor global de 72 mil milhões de kwanzas” integram a estratégia de reestruturação do banco, entidade que já vem de outras ajudas do Estado.

“O conselho de administração está ciente dos desafios que tem pela frente, e acredita genuinamente, que num contexto normal de evolução do mercado, o BPC irá voltar a liderar o sistema financeiro angolano, no apoio às famílias, às instituições e às empresas nacionais”, concluiu a administração do banco.

 

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