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IMOBILIÁRIO. Edifícios vazios, condomínios desabitados e preços sempre em alta. Quem tem dinheiro receia por uma desvalorização da moeda.

 

Angolanos com depósitos em kwanza receiam que a actual pressão exercida sobre o kwanza, decorrente da escassez de dólares no país, leve a que o Executivo desvalorize a moeda nacional, declarou um gestor de uma instituição financeira ocidental em Luanda.

“Vejo muitos investimentos feitos aqui por pessoas com dinheiro, mas que usam isso só para se protegerem contra uma eventual desvalorização do kwanza”, referiu a fonte.

Na iminência de uma desvalorização, o “natural” é que alguém com depósitos em kwanzas “tente fugir à moeda para proteger o valor do activo”.

Segundo o gestor, a conversão para uma moeda mais forte é uma das formas para se escapar de uma moeda fraca, alternativa que acredita, entretanto, ser impossível ou limitada aos angolanos devido à escassez de divisas.

“A outra forma é o que vemos aqui”, refere, apontando através da janela os altos edifícios da Baixa de Luanda. “Investem em imóveis para preservar o valor.”

Para o gestor, o país padece de uma deficiência estrutural, na medida em que não há outros sectores para se investir, com excepção do sector imobiliário. “Não temos uma bolsa de valores para comprar acções em empresas ou títulos de renda fixa de empresas ou grupos”.

Para a fonte, os investimentos feitos para preservar o valor de activos estão na origem da permanente construção de torres cujos preços, após terminados, continuam altos, apesar de vazios.“É uma peculiaridade muito angolana.”

O que se passa no país é um fenómeno que muitos já chamam de “bolha imobiliária”, mas se ainda não o é, poderá ser”, refere.

A crise de dólares estalou com a queda do preço do principal produto de exportação no mercado internacional, o petróleo, de mais de 100 USD para cerca de 40 USD, o que reduziu substancialmente as receitas do Estado. Vários actores e agentes económicos referem que o actual Regime Cambial das Empresas Petrolíferas piora a situação, devido à proibição que este instrumento jurídico impõe à indústria do crude em realizar operações em dólares no mercado doméstico.

Para a nossa fonte, não ajudou também a retirada do país de todos os correspondentes bancários em dólares, por razões apontadas como tendo que ver com o “compliance”. Os bancos e agentes económicos reprovam a política cambial do BNAcomo resposta à situação imposta.

Essa política determina sectores prioritários para a distribuição de divisas, como o da alimentação e saúde. Mas críticos apontam que são as “poderosas influências” que determinam quem recebe, e referem casos em que beneficiados nem sequer possuem kwanza para comprar as divisas.

 

DEVALORIZAÇÃO NO MOMENTO "CERTO”

 

 

Recentemente, o Executivo anunciou medidas que aparentam ser um afastamento de algumas das mais contestadas políticas financeiras, com a reintrodução do dólar na economia nacional. Empresas já podem pagar serviços e salários nas moedas que desejarem e os impostos fiscais também já podem ser liquidados em moeda estrangeira.

Trata-se de medidas que visam aliviar a enorme pressão exercida sobre o kwanza e as reservas internacionais líquidas. Em entrevista recente à agência de notícias Bloomberg, o ministro das Finanças, Archer Mangueira, afirmou que a desvalorização aconteceria “mais cedo ou mais tarde”.

Observadores estimam que a desvalorização só não acontece agora por receio de que a medida impacte ainda mais os preços dos bens e serviços, mas notam que o Executivo pretende avançar depois de implementar “um conjunto de medidas complementares” para minimizar os seus efeitos.

Segundo Archer Mangueira, o objectivo do Governo é fazer o ajuste cambial tão-logo o programa que está a ser gizado “esteja em plena fase implementação”. Analistas acreditam que a “re-dolarização” da economia seja parte desse programa, e que a desvalorização da moeda aconteça depois das eleições de Agosto próximo.

 

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