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COMÉRCIO. Angola figura entre os quatro países africanos que mais consome produtos luxuosos. São dados de 2017. Cada vez mais, as ‘grandes’ marcas procuram instalar-se no continente. África dá 5,9 mil milhões de euros de receitas.

A 4.ª edição da International Luxury & Business Conference está agendada para 12 e 13 de Junho, novamente em Genebra, nos salões do Coligny Yacht Club. Dedicada ao mercado de luxo em África, a conferência pretende focar-se nas últimas tendências no mercado de luxo que tem vindo a crescer em África. Estimativas da organização indicam que há, pelo menos, 145 mil africanos a usar o mercado de luxo – de iates a relojoaria– e que esse número poderá atingir os 198 mil em 2025. Como nos anos anteriores, o evento começa com um jantar privado, com apenas 20 pessoas. Só depois há o fórum. Aqui, troca-se informações e contactos e faz-se o balanço dos últimos anos. O mesmo é dizer contabiliza-se os iates e super iates de luxo que foram vendidos, as várias marcas, de vinhos, jóias e roupas, indicam onde estão localizadas as novas lojas em África e os operadores de turismo fazem o balanço e mostram os destinos mais exclusivos ou as ofertas mais luxuosas.

Por fim, no último dia, reúnem-se os ricos que se dedicam à filantropia, em que cada um revela quais os objectivos de ajuda para os próximos 12 meses, até ao próximo fórum. A organizadora do evento, Coralie Omgba, conhecida como a ‘princesa do luxo’ (ver caixa), conta com a colaboração de representantes do Rothschild Bank, de especialistas em iates, da Bhatia Traders, o principal gestor de lojas ‘duty-free’ em África, que vai discutir vinhos e fragrâncias, e de Emeraude Suisse Capital e Diabs Invest, gestores de activos e consultores de investimentos.

Luxo a crecer

Nos últimos anos, África, em especial a subsaariana, tem sido seduzida por produtos de luxo e até os de hiper-luxo, como os da alta joalharia e relojoaria, ‘pronto-a-vestir’, perfumes, vinhos e bebidas espirituosas e carros de corrida.

As marcas internacionais mais prestigiadas exibem uma clientela africana, com 145 mil pessoas com rendimentos superiores a 850 mil euros mensais. E há ainda 7.000 bilionários, cujos activos financeiros ultrapassam os 30 milhões de euros.

As fortunas estão espalhadas pelo petróleo, imóveis, construção civil, energia, transportes, finanças, turismo e telecomunicações. De acordo com um estudo da revista Jeune Afrique, em 2017, o luxo em África gerou 5,9 mil milhões de euros de receitas, cerca de 3% do mercado global. Calcula-se que o sector possa crescer 30% nos próximos dois anos. “Luxo não é apenas sobre ter produtos acabados, mas também a arte de viver, com a presença crescente de hotéis de ‘cinco estrelas’, palácios ou a aquisição de jactos particulares”, resume Coralie Omgba, fundadora da empresa Magnates Place e especialista em mercado de luxo.

Chegada das grandes marcas

Nos últimos dez anos, África tem acolhido as chamadas grandes marcas de luxo. As concessionárias da Porsche abriram portas na África do Sul, Quénia, Egipto, Nigéria, Angola, Marrocos e Maurícias, com as vendas a aumentar em 20%, em 2016 e 2017. Outros fabricantes, como Ferrari, Bentley, Rolls-Royce e Lamborghini, estão presentes principalmente na África do Sul. É aqui que o luxo gera mais receitas, com 2,3 mil milhões de dólares em 2016, à frente do Quénia, Nigéria e Angola, de acordo com dados compilados até 2017.

Marcas de luxo internacionais, como Hugo Boss, Gucci, Prada, Jimmy Choo e Dolce & Gabbana, abrem lojas todos os anos no continente. “Outras marcas, mais cautelosas, mas conscientes desse mercado em crescimento, preferem passar por cantinhos ou lojas, que atribuem licenças para a distribuição de produtos”, afirma Coralie Omgba. Entre elas, estão Christian Louboutin, Rolex, Ulysse Nardin, Chopard e Balenciaga. Os ‘shoppings’ que surgiram em Luanda, Lagos, Accra e Abidjan também abrigam algumas representações.

Para Coralie Omgba, África subsaariana “sofre com a falta de infra-estruturas” para as marcas se estabelecerem.

“Se 80% dos africanos for para a Europa ou para os EUA, África do Sul e Dubai permanecerão destinos privilegiados. Um africano sente-se mais próximo de um emirado do que de um natural de Paris “, esclareceu a especialista, numa entrevista à Jeune Afrique.

Coralie Omgba está convicta de que África poderá, nos próximos anos, receber a Chanel, Hermès, Dior. LK Bennett, Canali ou Mulberry.

Oportunidade para criadores

O luxo também já se tornou um terreno fértil para os criadores e empreendedores africanos. Um deles é Alexander Amosu, designer britânico-nigeriano, que personaliza produtos de luxo: uma garrafa de champanhe em ouro e diamantes custa 1,8 milhão de euros, um BlackBerry com diamantes 22 mil euros.

Satta Matturi, nascida na Serra Leoa, mas a viver em Londres e ex-funcionária da De Beers, ganhou fama na alta joalharia. Tem uma marca presente na África do Sul, Nigéria, Botsuana e Serra Leoa. Vânia Leles, da Guiné-Bissau, criou a marca Vanleles Diamonds em Londres. Em cosméticos, a Ozohu Adoh, da Epara, tem lojas no Quénia e Nigéria.

Em 2012, Swaady Martin-Leke, da Costa do Marfim, criadora da marca Yswara, lançou chás de luxo que são consumidos na África do Sul, Costa do Marfim, Nigéria e França.

Também Dominique Siby, do Gabão, soma sucessos com artigos de couro e alta relojoaria. Com sede em Miami, trabalha com uma clientela africana ultra-rica no Gabão, Costa do Marfim, Camarões, Angola e Congo. A fabricante holandesa Vlisco aposta em renomados estilistas africanos, para fazer roupas para coleccionadores.

Princesa do luxo

Graduada em Marketing e Comunicação em Paris e na Suíça, Coralie Omgba, de 34 anos, trabalhou em prestigiadas instituições financeiras, onde contactava milionários.

Descobriu nos seus gostos um ‘filão de ouro’. Criou, em 2015, a plataforma ‘online’ Magnates Place, sobre artigos de luxo, dando indicações onde poderiam ser adquridos. É apaixonada por geo-economia, alta joalharia, vinhos e bebidas espirituosas e arte contemporânea. No final de 2016, lançou a empresa, que conecta marcas de luxo internacionais e com uma clientela especializada especificamente africana. A empresa também oferece pesquisas e formação na área de luxo para marcas internacionais que desejam conhecer o mercado africano. Com essa experiência, organizou, em 2016, a 1.ª conferência, em França. A 2.ª edição em 2017 e a 3.ª em Junho do ano passado foram na Suíça.

 

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