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TURÍSMO. Ideia de medida drástica pode estar em cima da mesa. Operadores contestam e afirmam que, “numa economia aberta, o Governo não deve impor preços”.

O encerramento de unidades hoteleiras e de restauração é uma possibilidade que está ‘sobre a mesa’ do Ministério da Hotelaria e Turismo no âmbito do combate à especulação dos preços, como deixou escapar.

Januário Marra, director do gabinete de estudos, planeamento e estatística do Ministério da Hotelaria e Turismo (Mintur), ao VALOR, à margem do Fórum Mundial do Turismo, Januário Marra reconhece que as unidades hoteleiras “trabalham num ambiente adverso”, caracterizado por dificuldades no acesso à água e energia eléctrica, mas admite que, “em muitos casos, os custos são mesmo muito exagerados” e “serão obrigados a fechar aqueles que insistirem nessa prática”. Uma posição diferente da defendida por Ângela Bragança, titular do Mintur, que, na antecâmara do Fórum Mundial, observou que “os preços poderiam baixar” à luz da “competitividade e do melhor serviço”.

A operadora turística Sónia Cunha salienta que “fechar não é certo”, uma vez que, “em economias livres, o Governo não intervém na regulação dos preços”, desafiando ainda que, por esse caminho, “nada se vai conseguir”, mas sim, pela “evolução natural do mercado”, um cenário que também “não vai acontecer tão cedo”.

De acordo com a gestora, tanto na hospedagem, como na alimentação, “a concorrência dita as regras e a estratégia devia passar por termos preços para todos os bolsos”. Considerando os custos directos e indirectos, por exemplo, com combustíveis, água, salários e mesmo também com a aquisição de produtos alimentares, Sónia Cunha defende que, “se esses encargos são muito elevados e pesam no pacote da oferta ao cliente, cabe ao gestor justificar”, e ao Estado “apenas cobrar impostos”.

Augusto Pedro, secretário-geral da Associação das Agências de Viagens e Operadores Turísticos de Angola (Aavota), também afirma que a ideia de encerrar “não vai dar certo”, porque “não há regulador de preços”. “Estamos numa economia de mercado e num país que não produz praticamente nada dos consumíveis da hotelaria”, lembra, acrescentando que “não se pode fechar unidades que o Governo não ajudou a construir”. Por isso, acha que “o Mintur deve dialogar e comunicar mais com os operadores para se encontrarem soluções visando a redução dos preços”.

O economista Fernando Cavinda, que dirige o departamento de turismo no Huambo, também deplora os preços “elevados” no planalto central porque “os operadores se escudam nas fraquezas de infra-estruturas como água, energia eléctrica e estradas”, e nos alimentos, devido “a poucas opções”. Também defende que a saída para impulsionar o turismo interno passa por uma maior oferta de serviços e diálogo constante.

Noutras paragens

O empresário Ferreira Nequinha, com negócios nos Emirados Árabes Unidos, demonstra a disparidade dos preços entre Luanda e Dubai, onde há unidades de média dimensão a cobrar 18 dólares por dia, “mas com serviços impecáveis”. Por isso, defende o aumento da oferta, mas também sugere vigilância a “alguns preços que são incomportáveis” e “gananciosos”. Acusa o gestor angolano de “preferir deliberadamente ter o negócio em mãos que praticar preços razoáveis e vender mais”. “Precisamos de uma nova mentalidade para alavancar o turismo na sua grande dimensão”, assevera.

Os preços praticados em Luanda superam os da Namíbia em mais de 50%, em média. Por exemplo, no Epic Sana de cinco ‘estrelas’, a diária custa o equivalente a 471 euros, na Namíbia, o Hilton Windhoek, com a mesma categoria, fica por apenas 113 euros. Nos quartos duplos, a oferta começa por 27 euros, ao passo que, na capital angolana, em sete hotéis consultados, está fixada em 60 euros, o mais barato e 357 euros o mais caro, incluindo o pequeno-almoço. Em relação a países como os Emirados Árabes Unidos, Angola fica ainda mais distanciada. O preço médio do quarto no Dubai, em 1.075 estabelecimentos hoteleiros, varia entre o equivalente a 7.521 kwanzas e os 67.146 kwanzas o máximo.

Preços afugentam

Os preços a ‘doer’ na capital angolana terão ‘afugentado’ Catarina Taborda, alta responsável do Ministério do Comércio, Turismo e Artesanato da Guiné-Bissau, que decidiu voltar ao seu país um dia depois de chegar a Luanda, onde devia participar no Fórum Mundial do Turismo que o país acolheu para mostrar as suas potencialidades aos investidores.

 

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