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TURISMO. Participação tímida das províncias e fraca exposição do potencial turístico das diversas localidades foi um dos sinais do fraco aproveitamento do Fórum Mundial, realizado em Luanda.

No Fórum Mundial do Turismo, que Luanda acolheu na semana passada (iniciativa volta a Angola em 2020), as províncias não estiveram representadas na sua máxima força, cenário justificado pelos “elevados custos de estadia” na capital, aliado ao ‘aperto’ financeiro.

Por exemplo, Namibe, Huíla, Cunene e Kuando-Kubango juntaram-se num único pavilhão para dar a conhecer a investidores estrangeiros uma réplica da Serra da Leba e alguns produtos da terra, quando existem, nesta região do Sul, enormes potencialidades turísticas que, exploradas, podem dinamizar as economias locais.

Moxico, a Leste, apresentou-se com mel; o Bengo com um pequeno panfleto com imagens pouco expressivas de paisagens, ao passo que o Huambo trouxe algumas garrafas de ‘caporroto’ (aguardente caseiro de cana) e ‘chingueso’, um pequeno tubérculo silvestre.

Algumas agências de viagens e unidades hoteleiras juntaram-se à Taag, companhia aérea nacional, para mostrar os seus serviços. Mas soube a muito pouco para um país que quer captar investimentos múltiplos de mil milhões de dólares e atrair cinco milhões de turistas até 2020.

O professor universitário António Pedro Cangombe defendeu que “o operador turístico angolano é ainda muito pobre”, logo, se “o investidor estrangeiro sentir essa fraqueza, será o suficiente para afugentá-lo”. “Mesmo que sejam boas as intenções do Governo, nota-se que estamos mal, não se criam oportunidades”, reforçou.

O docente criticou o discurso do Presidente João Lourenço na abertura do evento: “Apenas fez referência às grandes cadeias estrangeiras com intenção de entrar na indústria do turismo e não falou de nenhum ‘player’ nacional. Mesmo aos ‘tombos’, temos algumas empresas que devem ser encorajadas para impulsionar o turismo interno”.

No entanto, João Gonçalves, presidente da Associação de Hoteleiros, Restaurantes e Similares de Angola (Ahoresia), contraria, avançando que “o Governo já entendeu o papel do turismo na diversificação económica”, embora reconheça que, “para se atingir os objectivos inscritos no plano de desenvolvimento do turismo, será necessário, além de estradas, a privatização de aeroportos, a flexibilização de custos e apostar na electrificação do país”.

Lembrando que “dormimos sobre enormes recursos turísticos e também minerais como petróleo e gás natural”, João Gonçalves alerta que, “se não forem bem ‘queimadas as etapas’ na captação de financiamento externo, um dia voltaremos a ser colonizados”.

Por isso, entende que “tem de se olhar para dentro das nossas fronteiras, abraçar talentos que queiram acrescentar valor” a essa cadeia do ‘petróleo verde’, um sector com forte possibilidade de resolver a problemática do elevado desemprego, na avalaiação do mesmo.

João Gonçalves é gastrónomo e anda à ‘caça’ de parcerias para a construção de uma unidade hoteleira e uma escola de formação de quadros na Ilha de Luanda, um ambicioso projecto de 15 milhões de dólares que não ‘descola’ há anos, “porque aceder ao crédito bancário é cada vez mais uma miragem”.

João Gonçalves avalia ainda que o desenvolvimento da indústria do turismo, além de academias, passa também pela formação ‘on the job’. Manifesta-se contra a concentração de unidades hoteleiras na capital, um problema que “demonstra a fraca circulação monetária pelo interior”.

Aliás, os números apresentados no Fórum pela ministra da Hotelaria e Turismo mostram isso mesmo. Cerca de 60% dos empreendimentos e equipamentos hoteleiros concentram-se na capital.

 

Números do Turismo em Angola

Hotéis ….......................................... 235

Empreendimentos hoteleiros ..…. 1.771

Restaurantes e similares ….......... 5829

Agências de viagens ….................... 317

Quartos Total …....................................... 28.462

Hotel …..................................... 14. 088

Outros tipos de alojamento ….. 14. 374

Last modified on terça, 28 maio 2019
 

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