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CONFLITO. Banqueiro garante ter comprado a fazenda sem conhecimento que estava em litígio. Desavença já data mais de dez anos entre família e Victor Nunes. Dos mais de 120 mil dólares que ficou acordado que seriam pagos pelo terreno, empresário mostrou-se disposto a pagar apenas quatro mil.

O banqueiro Fernando Teles nega ter usurpado terras, respondendo assim a uma acusação de uma família do Kwanza-Sul, que reclama a titularidade de uma fazenda, na posse do empresário.

Em resposta ao VALOR, Fernando Teles garante ter comprado a fazenda há dois anos ao empresário Victor Nunes, que esteve a investir no terreno quase 10 anos e “nunca teve problemas”.

A família garante, no entanto, que Victor Nunes teve problemas com a titularidade da fazenda. Luiz Cassoma Vunge, filho de quem reclama ser proprietário, assegura que o caso já foi alvo de tratamento em tribunal, que terá dado razão à família. Segundo o mesmo, tudo terá começado em 2008 com uma manifestação de interesse de Victor Manuel Ventura Nunes em adquirir a fazenda que pertencia a Silva Quintas Vunge, falecido em 2017.

Em troca, o proprietário exigiu que se construíssem três escolas nas comunidades que circundam a fazenda, um posto médico, uma carrinha de marca Mitsubishi, modelo Canter, além de 120 mil dólares. O empresário terá concordado com o negócio, comprometendo-se a amortizar a dívida depois de começar a trabalhar. As partes terão ficado por um acordo verbal testemunhado pelos filhos do proprietário e um soba. Segundo Luiz Cassoma Vunge, o empresário “nunca honrou” o compromisso. “Passados mais de três meses convidámos o senhor a abandonar a fazenda, sem sucesso. Depois começou a dizer que quem lhe deu o terreno foi o administrador municipal, depois disse que foi o general Luís Faceira, mais tarde disse que foi o governo provincial”, conta.

Em 2012, o Tribunal Municipal do Kilamba-Kiaxi produziu uma sentença a favor da família, em que exigia a Victor Nunes o abandono das terras ou, em alternativa, o pagamento de uma indemnização, mas isso nunca foi cumprido.

O herdeiro lembra que, em 2013, Victor Nunes se mostrou interessado em pagar a dívida, mas o que “pareceu ser o fim do calvário estava longe de terminar”. “Ele ofereceu-nos dois mil dólares pela fazenda, obviamente o meu pai não aceitou. No dia seguinte, ligou a dizer que tinham aumentado a proposta, quando lá chegámos o valor tinha subido para quatro mil dólares e voltámos a não aceitar. Dias depois, fez o mesmo, mas desta vez fomos surpreendidos pela polícia e fomos presos”, relata.

Os herdeiros da fazenda acreditam que Fernando Teles tinha conhecimento do conflito, uma vez que o caso está em tribunal. Margarida Francisco, sobrinha do proprietário, garante que, mal soube que Victor Nunes tinha vendido a fazenda, a família tentou contactar o novo proprietário, mas sem sucesso. Foram enviadas cartas, mas não obtiveram respostas. Membros da família decidiram pernoitar na fazenda até que fossem ouvidos. E ficou acordado, na altura, que, a 15 de Dezembro de 2018, teriam uma resposta, mas, mais uma vez, não se efectivou.

Questionada do motivo pelo qual o caso não teve tanta repercussão na altura em que Victor Nunes geria a fazenda, Margarida Francisco alega que havia esperança que tudo se resolvesse. “Estávamos com os documentos no tribunal, aguardávamos a resposta e tínhamos esperança de que o senhor nos indemnizasse. O nosso espanto foi, mesmo com o caso na justiça e o espaço em litígio, quando tivemos conhecimento de que havia um novo dono.”

O terreno de seis quilómetros de largura e aproximadamente 10 quilómetros de comprimento é a única reivindicação da família que garante que já não aceita nada além disso, nem mesmo o que havia sido acordado com Victor Nunes.

O VALOR tentou, até ao fecho da edição, contactar Victor Nunes, mas os esforços foram infrutíferos.

 

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