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PLANO. Empresa contratada, em 2014, para resolver o problema da seca no Namibe afirma que a falta de fiscalização comprometeu o projecto e alerta para a necessidade de se alterar o modelo de actuação.

A problemática da seca no sul do país é recorrente, mas a sua dimensão, este ano, agravou-se por estar a faltar chuva há já cerca de quatro anos. Há correntes a defender que, “sendo um problema há muito conhecido, já se deviam tomar medidas definitivas” e dão o exemplo da Namíbia, que partilha com Angola o rio Cunene, “mas não falta água à população”.

Outros vão mais longe e receiam que os 200 milhões de dólares que o Governo destinou para combater a seca “não dêem em nada”, porque “foi assim também com os 200 furos que deviam ser construídos no Namibe, desde 2014”, e cujo dinheiro “simplesmente desapareceu”.

Os projectos de combate à seca estão condenados ao fracasso “por falta de vontade política”, segundo José Maria, engenheiro e sócio-gerente da Vegangola, a quem o governo do Namibe tinha adjudicado a construção dos 200 furos de água melhorada, dos quais apenas sete foram concluídos. “A empreitada paralisou por não ter sido paga”, e, além disso, “não podíamos continuar num cenário em que prevíamos aplicar 35 mil dólares em cada poço e os ‘comissionistas’ pressionavam para ‘dobrar’ o valor”.

José Maria lamenta ainda que o Governo tenha adquirido um dos melhores equipamentos para a construção de furos, abandonado nos estaleiros da empresa provincial de águas. “É um desperdício porque a sonda de 500 mil dólares de fabrico norte-americano está a enferrujar e ‘condenada’ a uma progressiva degradação, sem cumprir o seu papel”, afirmou, acrescentando que “o problema da água nas províncias mais afectadas no sul teria solução se houvesse visão e vontade dos governantes”.

Para o empresário, Angola só precisa de aprender com as boas práticas do país vizinho, que, com a água do Cunene, está a desenvolver uma agricultura de escala e ainda vende energia eléctrica a Ondjiva. “Quando o nosso Governo não paga aos namibianos, Ondjiva fica vergonhosamente às escuras”. Esta, em sua opinião, “é uma dependência para a qual também já se devia encontrar uma saída”.

Fim à emergência

O topógrafo Carlos Nangayafina defende a necessidade de se “acabar com os programas de emergência que apenas potenciam o roubo ao Estado”, sugeridno “estratégias sérias e mais duradouras”. “O que os sobas querem é água e não dinheiro”, reforça, recordando que o governo colonial “conseguia facilmente travar a seca através de 1.200 furos de água potável para a população, reforçadas com as ‘chimpacas’ para ao gado”.

Nangayafina entende que, numa altura em que a situação é bastante crítica, devia “optar-se pelos furos com sistemas artesanais de fácil manutenção e mais resistentes do que os movidos através de painéis solares, que requerem muita atenção, para depois se pensar na construção de barragens e canais adutores a partir do rio Cunene”. Por isso, manifesta-se contra a participação no concurso de empresas, algumas das quais de Luanda que “pouco conhecem o solo e a realidade do povo” e questiona o prazo e a viabilidade da construção de canais adutores que devem atravessar maciços das maiores reservas de granito negro do país. “Quem entrar nesse negócio terá de provar alta capacidade técnica. O solo da província é muito agreste e requer alta tecnologia. Se não se avançar com um sério exercício de fiscalização, estas obras não serão concluídas e serão apenas perda de tempo e dinheiro”, a exemplo da barragem de Calueque, sobre o rio Cunene, também abandonada, depois de avultados gastos financeiros.

Em Abril, o Presidente da República determinou a abertura de concurso para a construção do sistema de transferência de água do rio Cunene para Cafu e Shana (municípios de Cuamato e Namacunde), com custos de 80 milhões de dólares e duas barragens em Calucuve e Ndue, avaliadas em 60 milhões de dólares cada.

 

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