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SITUAÇÃO ECONÓMICA. Coincidência da crise do combustível com outros fenómenos motiva interrogações sobre a capacidade de resposta do Governo. Uma combinação entre greves, seca, desemprego, perda de poder de compra e tendência decrescente das reservas internacionais líquidas funcionam como um verdadeiro alerta.

O país está a enfrentar um fenómeno, cujo silêncio foi quebrado, parcialmente, com o alvoroço provocado pela crise de combustíveis que durou perto de duas semanas. Inúmeras situações vão acontecendo de forma coincidente e/ou em catadupa, provocando mais preocupações e desafios à governação. À falta de combustível, podem juntar-se as greves e a alta taxa de desemprego. A crise de combustível foi a segunda este ano, mas foi preciso atingir Luanda a níveis insuportáveis para que as autoridades se desdobrassem e tratassem o assunto com a seriedade que se impõe.

Ficou a promessa de tudo ser feito no sentido de se evitar uma nova crise. A solução imediata poderá ser o aumento dos preços, enquanto se aguarda pela concretização das refinarias. “Considero que, entre as diferentes missões que são da vossa responsabilidade, sem sombra de dúvida, que esta (refinarias) deve ser considerada a prioritária. Sabemos que está em curso o processo para tornar este sonho realidade e o que gostaria de vos pedir é que imprimam outra velocidade neste mesmo processo que já está em curso”, sublinhou o Presidente da República na tomada de posse do novo conselho de administração da Sonangol.

Por sua vez, o novo PCA da Sonangol, Sebastião Martins, defendeu a necessidade de se reajustar os preços, argumentando que a subsidiação “não tem sido a melhor solução”. “A empresa tem estado, de facto, numa situação em que a parte dos subsídios pesa bastante na tesouraria”, sublinhou para depois defender “um preço que satisfaça de modo financeiro os cofres do Estado, mas que também faça com que a população não seja penalizada”.

Superfícies comerciais trocadas pelo informal

No entanto, parece difícil, pelo menos a curto prazo, que o aumento do preço do combustível não tenha impacto no seio das famílias, considerando a perda do poder de compra, provocada pela depreciação do kwanza e a não-actualização dos salários. Sobretudo para as famílias que viram os seus responsáveis ficarem desempregados, como consequência do encerramento ou medidas de contenção das empresas, face à situação económica.

Segundo o Inquérito sobre Despesas, Receitas e Emprego em Angola (IDREA), a taxa de desemprego registou um aumento de 8,8 pontos percentuais nos últimos dois anos, atingindo 28,8%, ou seja, 3.675.819 pessoas, num universo de 14.735.487 em idade activa.

A menor capacidade de compra das famílias é testemunhada nos supermercados. O VALOR esteve, a 10 e 11, em alguns em Luanda e é preocupante o cenário. “Agora é assim todos os dias, até dá preguiça de trabalhar”, desabafou, por exemplo, um ‘caixa’ do Kero Viana. O cenário assemelha-se às demais unidades e dá razão ao banqueiro Fernando Teles que, em recente entrevista ao VALOR, sublinhou que “os supermercados não têm o mesmo movimento que tinham há quatro anos e isso é crise” para dar exemplo da perda de poder de compra das famílias.

Luiz Matos, da Alimenta Angola, manifesta-se, por outro lado, preocupado com a tendência que se regista nos últimos tempos de o consumidor voltar a “preferir fazer as compras no mercado informal porque tem a percepção, errada, que os preços estão mais baixos”.

Greves….

Regista-se também uma tendência de aumento de greves por parte dos trabalhadores que, assim, fazem recurso a este direito para verem solucionada as dificuldades impostas pela perda de poder de compra. Caminhos-de-Ferro, EPAL e Tcul são algumas das empresas cujos trabalhadores decretaram greve. A Taag conseguiu impedir uma greve iminente dos pilotos no ano passado depois de um acordo conseguido na véspera. Sorte diferente teve o Ministério Público e o Ministério da Saúde.

Falta de água e seca

A seca no Cunene e Namibe também agita o país. Só no Cunene, até Abril, o fenómeno provocou a morte de 26 mil cabeças de gado das cerca de um milhão e 100 mil afectadas e 176 mil famílias encontravam-se vulneráveis, segundo o governador Virgílio Tyova. A falta de água obrigou a baixa considerável do preço dos animais. Estavam a ser vendidos a dois mil kwanzas.

Nas cidades, à falta ou limitações no abastecimento da água potável juntou-se o surgimento de água com qualidade duvidosa, de coloração castanha. Em relação à quantidade, por exemplo, a EPAL garante não ter “água suficiente para aquilo que são as necessidades de Luanda”, segundo o PCA da empresa Diógenes Flores, estimando em cerca de 1,2 milhões de metros cúbicos/dia e a produção em 550 mil metros cúbicos.

Em relação à qualidade, esta semana, o porta-voz da empresa, Vladimir Bernardo, garantiu terem sido ultrapassadas as dificuldades para a preservação da qualidade da água distribuída à população. “As chuvas faziam com que fosse arrastada grande quantidade de lama ao rio, fazendo com que a água não tivesse o aspecto habitual, o que, de certa forma, contribuiu para que não chegasse no melhor estado aos consumidores”, justificou.

Entre as preocupações, destacam-se ainda a tendência decrescente das reservas internacionais líquidas e ou ainda a inexistência de um horizonte temporal para que se inverta a tendência de depreciação do kwanza que se regista desde a implementação do câmbio flutuante em Fevereiro de 2018.

 

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