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AGRONEGÓCIO. Ministério previa adquirir animais no exterior para repovoar a região norte, permitindo o uso do Matadouro da Camabatela. Projecto custou mais de 13 milhões de dólares e está quase ao abandono. Entidade gestora entende que, sem animais, nada pode ser feito.

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O Matadouro de Camabatela, o maior do país, abate um ou dois bois por semana e “muitas vezes nenhum animal”, quando tem uma capacidade para abater 200 por dia, soube o VALOR, de fonte da empresa gestora, a Valagro.

Desde a inauguração do empreendimento que foi acordado com o Ministério da Agricultura, detentor da unidade, que a Valagro assumiria a gestão, enquanto o Ministério ficaria com a responsabilidade de povoar a zona com animais, o que nunca foi feito. Como resultado, o matadouro vem funcionando aquém do previsto.

A semana passada, durante uma visita do governador do Kwanza-Norte, Adriano Mendes de Carvalho, a Ambaca, o administrador do município, Malundo Catessano, confirmou que o matadouro tinha deixado de funcionar por falta de animais e que a empresa gestora tinha rescindido contratos com funcionários, entre técnicos, embaladores e vendedores. na sequência, as portas foram encerradas, sem data de reabertura.

Esssa versão oficial é, no entanto, refutada por fonte da empresa gestora que garante que a infra-estrutura nunca esteve encerrada, embora admita não ter trabalho. “O matadouro não encerrou, continua aberto. O problema é a falta de animais na zona. Ninguém utiliza o matadouro. Às vezes, há a utilização de alguém que vai matar um boizito ou um cabrito. Esse é o problema. Não há gado. Não foi feito o repovoamento”, descreve.

O ministro da Agricultura, Marcos Nhunga, convocou uma reunião, na quarta-feira passada, com a administração da Valagro. Nessa reunião, a administração explicou as dificuldades e referiu que, “enquanto não houvesse gado na região, era inútil manter uma estrutura daquela dimensão aberta que só dava prejuízos”.

A empresa comprometeu-se a apresentar um relatório nos próximos dias, revelando os gastos e a quantidade de animais abatidos em quase dois anos.

Interessada em manter a gestão “desde que haja animais”, a Valagro garante que cumpriu com o acordo, desde a formação de técnicos à manutenção de máquinas. “Não podemos suportar uma estrutura com aquela qualidade sem viabilidade. Só conseguimos tirar alguma rentabilidade se começarmos a prestar serviços ou adquirimos animais na zona para a venda no mercado. Mas tudo é difícil. Está muito longe do mercado e há concorrência.”

Na inauguração do matadouro, a Valagro tinha mais de 30 trabalhadores, mas teve de rescindir com a maioria por falta de trabalho. Alguns foram deslocados para o matadouro de Luanda.

A inviabilidade do projecto também passa pela manutenção das máquinas a funcionar sem que haja abate. Por mês, a empresa gastava entre 700 e 800 mil kwanzas em energia eléctrica.

O VALOR contactou o Ministério da Agricultura, mas este remeteu qualquer resposta para um pronunciamento público previsto para as próximas semanas.

‘Parto’ difícil e prematuro

O matadouro da Camabatela resulta de um investimento espanhol de mais de 13 milhões de dólares. Antes de inaugurado, o projecto já estava abandonado, segundo uma reportagem do VALOR de há dois anos.

O projecto foi aprovado no início de 2017 pelo Conselho de Ministros, que incumbiu o Ministério da Agricultura de importar oito mil cabeças de gado bovino para confinamento e 2.500 para a reprodução, com o objectivo de serem instaladas na zona, no âmbito do programa de repovoamento da região.

Previa-se que o projecto produzisse 10 mil toneladas de carne/ano e poupar anualmente 350 milhões de dólares, valor destinado à importação de carne. Na inauguração, amplamente divulgada pela imprensa, o ministro Marcos Nhunga qualificou o matadouro como um marco que impulsionaria o crescimento das cerca de 200 fazendas registadas no Planalto de Camabatela.

O ministro chegou mesmo a referir que o empreendimento atenderia 50% das necessidades de carne da região norte do país e o Governo cumpriria uma das etapas fundamentais do sector, que era a auto-suficiência animal.

Mais matadouros

Enquanto se discute o destino do Matadouro da Camabatela, o Ministério da Agricultura tem, na agenda, a recuperação do programa de construção de matadouros regionais, que foi interrompido em 2014.

O programa até contempla o Matadouro de Camabatela e dois outros empreendimentos, sendo um na Huila, que já recebeu verbas do Estado, e outro na Lunda-Norte.

 

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