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ANÁLISE. Especialistas avaliam a política cambial de forma positiva, mas destacam aspectos negativos como a falência de empresas. Há quem alerte para o “ano muito difícil”. Desde Fevereiro de 2018, o kwanza já se desvalorizou em mais de 50% face ao dólar e mais de 30% face ao euro.

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Implementado há um ano, o regime cambial flutuante revelou-se, para analistas económicos e empresários, “um verdadeiro processo administrativo de desvalorização do kwanza que atingiu níveis além do esperado, retirou liquidez às famílias que, assim, deixaram de recorrer às divisas e, sequencialmente, os bancos tiveram mais margem para atender aos ‘poucos’ pedidos”.

Ao VALOR, o banqueiro Fernando Teles considera “positivo” o balanço da implementação do regime cambial por ter permitido que “os pedidos de compra de divisas fossem mais ou menos atendidos” e que “agora são as pessoas que não têm liquidez para comprar divisas”.

O PCA do Banco BIC aponta como aspecto negativo a desvalorização do kwanza que, segundo cálculos do VALOR, foi de 52,4% face ao dólar e 38,6% em relação ao euro. “Já foi (desvalorizado) mais do que o suficiente, esperava que fosse menos”, confessa Fernando Teles, que acredita que este ano seja um ano de investimento no sector primário e que haja relançamento da economia.

Por sua vez, o consultor Galvão Branco considera que “as expectativas que se criaram com a política monetária cambial no sentido de se colocar a taxa de câmbio dentro de metas que não penalizassem tanto o crescimento económico e a actividade dos operadores obteveram um determinado sucesso”. Para o consultor financeiro, as medidas que o BNA adoptou foram as mais “ajustadas e as mais alinhadas com a realidade do país”, porque permitiram “conter o acesso às divisas para fazer face às importações” e tiveram “impactos positivos” na taxa de inflação.

Galvão Branco também concorda que a desvalorização “foi além do esperado”. “Pode eventualmente admitir-se que a desvalorização deve ter ultrapassado aquilo que seria justo à medida em termos da preservação do valor da moeda. Até achei que poderia não se ir tão longe, mas era inevitável essa desvalorização e, por consequência, a perda do poder de compra.”

O analista justifica essa desvalorização com a falta de capacidade que o país tem de assegurar, por via de oferta interna, necessidades básicas. “Estamos sempre amarrados à questão das importações. É preciso efectivamente consagrar o essencial dos nossos recursos e das nossas competências”, afirma.

Para 2019, o consultor antevê grandes dificuldades em assegurar o crescimento nos próximos tempos e aconselha a população a tomar “uma atitude realista” perante este contexto. “Vamos entrar num exercício fiscal em 2019, com grandes problemas na formação da receita, vai haver desemprego, perda de rendimento das famílias e uma perda de rendimentos em grandes sectores da sociedade”, explica. No entanto, acredita que, com as políticas que têm vindo a ser adoptadas e com a monitorização do Fundo Monetário Internacional (FMI), o quadro possa vir a inverter-se a curto período. “A participação do FMI na nossa gestão e estabilização macroeconómica vai ser muito importante para os próximos dois anos. Ao fim desse tempo, iremos sentir os efeitos em termos de desenvolvimento humano”, conclui.

Casas de câmbios contempladas

Milton Macedo, presidente da Associação das Casas de Câmbio de Angola, vislumbra “bons sinais” na distribuição das divisas. No entanto, por altura da implementação da taxa de câmbio flutuante mostrava-se receoso. “Agora ao fim de um ano, o próprio Banco Nacional de Angola já tem outra visão, já conhece melhor as necessidades do mercado e consegue de alguma maneira fazer uma distribuição diferente da que começou”.

As casas de câmbio, depois de quase um ano “excluídas” da distribuição, voltaram, em Janeiro, a participar nos leilões, embora das mais de 100 casas apenas 12 tenham sido contempladas. Por isso, Milton Macedo conclui que “é prematuro” fazer uma análise desta política cambial, mas espera fazê-la depois de Abril.

Regime provoca falências

Por outro lado, Rui Santos, PCA da Sistec, destaca “aspectos positivos” na estratégia adoptada, mas lamenta o “impacto violento” que as empresas sofreram com a implementação desta medida. “Todas as empresas que tinham pagamentos pendentes de fornecimentos a crédito foram muito afectadas porque tiveram de suportar diferenças cambiais nos pagamentos que, à data da entrada em vigor da medida, estavam em divida perante estrangeiros”.

Apesar de considerar que a medida era “fundamental e necessária”, o empresário condói-se com o facto de haver empresas que tiveram ou terão que fechar porque “venderam as mercadorias e/ou serviços baseados no custo histórico contabilístico e o pagamento diferido foi/será feito com base no novo câmbio”.

O regime de câmbio flutuante foi implementado a 1 de Fevereiro de 2018 com vista a orientar os bancos comerciais a pautar por uma conduta transparente, justa, equilibrada e correcta na aquisição e disponibilização de divisas.

 

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