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TRANSPORTES. Economistas sugerem a “privatização urgente” dos Caminhos-de-Ferro de Luanda, para os tornar “mais atractivos”. Empresa afasta, no entanto, qualquer possibilidade de privatização a médio prazo e aponta a recuperação dos meios circulantes, como forma de contornar as dificuldades.

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A privatização dos Caminhos-de-Ferro de Luanda (CFL), como de outras empresas similares, pode ser a solução para a “manifesta incapacidade financeira da empresa em satisfazer as exigências dos trabalhadores de aumento salarial de 80%”, defendem economistas e consultores. Dala Francisco Linha, docente de Economia na Universidade Católica, reprova o facto de o Estado continuar a “subvencionar ou subsidiar” os CFL, sugerindo a sua privatização “urgente e total”, crente no surgimento de uma “nova gestão que possa trazer outra perspectiva contabilística”, uma “solução mais lucrativa” e ainda “melhor comodidade” aos utentes.

No entanto, avisa os trabalhadores que é “errado” pensar-se que a receita média diária de 1,5 milhões de kwanzas seja suficiente para o aumento salarial exigido. “É bom reter que o custo com o pessoal não é o único que a empresa tem. Há custos inerentes à manutenção das linhas-férreas, compra de combustíveis e outros que se deve ter em conta”, adverte.

Por sua vez, o consultor económico Cláudio Nadais corrobora parcialmente com Dala Linha, acentuando que o “melhor modelo” para os CFL seja uma parceria público-privada. Contraria a ideia de que a empresa será privatizada na totalidade por causa da “importância económica e financeira” para os mais desfavorecidos.

“Se os CFL forem privatizados no todo, corre-se o risco de não se poder controlar os preços praticados, porque o privado tem essa liberdade dada pelo mercado”, acautela o economista, que prevê ganhos maiores para o Estado, em caso de uma parceria, que passaria pelos lucros enquanto sócio, bem como receptor da tributação.

Quem também defende uma privatização total é o economista António Fernando, para quem o Estado “tem muitos encargos”. O técnico recorda que, no geral, as empresas são privatizadas quando não proporcionam lucros esperados. “E os CFL encontram-se nessa situação, que prejudica grandemente o Estado”, sublinha, acrescentando que a privatização “traria alívio” aos cofres públicos e melhoraria a vida dos passageiros, que, até ao momento, “é degradante”.

No entanto, a empresa não consta do grupo das 74 que o Governo perspectiva privatizar a médio prazo, conforme o prospecto da emissão de ‘eurobonds’ e vários pronunciamentos oficiais.

Solução imediata

Além de garantir que a privatização não está prevista para “médio prazo”, Augusto Osório, porta-voz dos CFL, aponta a reparação dos meios circulantes avariados, como locomotivas, carruagens e vagões, bem como o “combate” aos desvios de dinheiro nas bilheterias, como forma de tornar a empresa rentável. Reconhecendo que a empresa é financeiramente deficitária, Augusto Osório estima em cerca de mil milhões de kwanzas o esforço financeiro mensal que a empresa teria de fazer para satisfazer a exigência dos trabalhadores. Perante o ‘imbróglio’, a empresa requereu a vinda de operadores das congéneres do Namibe e Benguela.

Por sua vez, António Luís, coordenador sindical, deplora a vinda de técnicos de outras províncias e avisa que poderão aumentar o número de acidentes na linha-férrea. “Os perfis das linhas-férreas de Luanda, Benguela e Namibe são diferentes, com a agravante de as de Luanda serem a mais complexas de África. Esses técnicos deviam passar por um bom período de formação e só depois pegarem nas máquinas”, alerta António Luís, que considera a requisição civil como uma “medida irresponsável”. O maquinista lamenta que os CFL e outras instituições do Estado tenham apenas recusado a aumentar salários, ao invés de apresentarem uma contra-proposta salarial.

Os CFL têm pouco mais de 930 funcionários. Os operadores de serviços gerais auferem de 40 mil kwanzas de salário e os maquinistas de segunda, 98 mil. Realizam, por dia, 17 viagens de comboio suburbano de passageiros, garantindo o transporte diário a mais de seis mil pessoas, ao custo de 500 kwanzas, em primeira classe; 200 kwanzas, em segunda, e 30 kwanzas, em terceira.

Dados de 2018 indicam que a empresa, para funcionar com normalidade, teria de gerar, mensalmente, cerca de 250 milhões de kwanzas, mas a receita actual é de 30 milhões.

 

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