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PETRÓLEO. Relatório AT Kearney aponta caminhos para o sucesso dos investimentos na refinação, mas deixa uma lista de alertas. Estudo lembra que as margens de lucros têm caído substancialmente.

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As futuras refinarias de Angola podem morrer à nascença, se não se acautelarem as mudanças previstas e que impõem alterações significativas no mercado depois de 2021, ano que antecede o arranque da Refinaria do Lobito.

Segundo o relatório da AT Kearney, sobre o mercado global de refinação, divulgado recentemente, as refinarias “precisam de reestruturar-se e de reposicionar estrategicamente os seus activos ou sair do mercado”. “Escolher o modelo operacional correcto e o nível necessário de integração em toda a cadeia de valor - para cada activo e cada região - será crucial para melhorar as margens e sustentar a lucratividade num mercado volátil. Para activos que não são financeiramente viáveis, independentemente do seu modelo, uma decisão sobre a saída deve ser feita cedo para evitar perdas financeiras no final da década”, avisa o relatório.

O estudo sublinha ainda que a “refinação global é um mercado maduro, onde já houve uma reestruturação substancial e mais reorganizações ocorrerão no futuro”.

Lembrando que “as margens das refinarias, nos países desenvolvidos, caíram significativamente nos últimos anos”, o estudo sublinha que “os refinadores não foram capazes de se beneficiar dos recentes altos preços de mercado para os óleos refinados” e que “outras pressões sobre a refinação podem dificultar futuras alienações ou investimentos”.

Este aviso, de resto, vai ao encontro da opinião do especialista em questões energéticas, José de Oliveira, uma das vozes que tem apelado para se ter cautelas nos investimentos. “Tendo em conta que o país está debaixo de uma crise económico-financeira, na refinação, a melhor e mais barata solução é modernizar e aumentar a capacidade da Refinaria de Luanda com um investimento faseado que custará um quarto ou um quinto da nova Refinaria do Lobito. Esta solução associada ao facto de que tudo indica que se vai construir uma pequena refinaria em Cabinda, com investimento privado estrangeiro, pode resolver a médio prazo a maioria do abastecimento de gasolina e gasóleo do país”, defende o investigador do Centro de Estudo e Investigação da Universidade Católica de Angola (CEIC).

Para José Oliveira, “como modernizar e aumentar uma refinaria custa muito menos que fazer uma nova e pode fazer-se por fases em três ou quatro anos - solução muito mais condizente com a nossa crise financeira - esta solução também beneficia o país, a longo prazo, pois a refinaria de Luanda não tem de ser deficitária a não ser nos primeiros anos, obrigando a subsídios estatais permanentes, como será naturalmente a de uma nova e sofisticada refinaria como a que se pretende construir no Lobito”.

O especialista entende que o investimento na refinaria não resultará em poupança de divisas como muitas vezes se defende. “As pessoas esquecem que o petróleo que se refina deixa de ser exportado, que os investimentos são em moeda externa e são pagos com juros, porque derivados de empréstimos e que a operação de uma grande e moderna refinaria tem custos permanentes de mão de obra especializada e componentes de fabrico em divisas”.

Angola conseguirá ser competitiva?

José Oliveira acrescenta que, “como o mercado internacional de refinados é muito competitivo, é muito difícil produzir no país gasolina e gasóleo ao mesmo preço em dólares que o seu custo FOB no estrangeiro, facto que todos os que defendem uma nova refinaria ignoram”.

“As poupanças nos custos de transporte de cerca de 2,50 dólares por barril, dos refinados importados, quando se refina no país, não chegam para pagar os custos de amortização do investimento e de operação de uma grande e moderna refinaria”, acrescenta o especialista para quem “Angola já devia ter feito uma análise custo/beneficio da refinação no país a fim de tomar decisões com bases económico-financeiras sólidas”.

O estudo da AT Kearney, de resto, defende que “o único dado neste cenário de mudança é que a excelência de refinação é imperativa em todas as dimensões de entrada, saída e relacionadas a activos”.

O projecto da Refinaria do Lobito é o mais emblemático. Avaliado em 10 mil milhões de dólares, prevê o processamento diário de cerca de 200 mil barris de crude e ocupará uma área de 3.805 hectares. Depois de vários anos ‘de avança, não avança’, foi suspenso em 2016 pela Sonangol, que apresentou como razão o “contexto de quebra do preço do petróleo”. Foi retomado em 2017 depois de João Lourenço, em Novembro, defender não fazer “sentido que um país produtor de petróleo, com os níveis de produção que tem hoje e que teve no passado, continue a viver quase exclusivamente da importação dos produtos refinados”.

 

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