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COMÉRCIO. Dependente em grande medida das importações, o trigo pode ficar mais caro em Dezembro. Entreposto Aduaneiro admitiu não ter conseguido importar da Turquia e da Ucrânia as oito mil toneladas de farinha de trigo para a quadra festiva. Importadores tradicionais também estão a recorrer ao mercado interno onde o trigo é mais caro do que importar.

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O Entreposto Aduaneiro de Angola (EAA), empresa estatal que tem como vocação garantir a cesta básica e a estabilidade dos preços dos produtos essenciais, não conseguiu importar as oito mil toneladas de farinha de trigo até Novembro, para garantir a Quadra Festiva, como anuncou em Setembro.

A empresa justifica o fracasso com a complexibilidade do ciclo de importação. “Há novas regras do BNA, não conseguimos acertar com as previsões”, adiantou o director adjunto para a área comercial, João Agostinho Malonda, que, sem poder “precisar uma nova data”, garantiu que o produto pode chegar “nos próximos meses”.

Enquanto a importação não acontece, nos últimos meses, o Entreposto tem comprado o trigo, no mercado interno, na Grandes Moagens e está em contacto com a moagem da Kianda.

João Agostinho Malonda esclarece, no entanto, que é mais caro comprar internamente, daí a razão de se ter alterado também o preço. Na Grandes Moagens, o trigo sai a sete mil kwanzas e o Entreposto vende aos grossistas a oito mil kwanzas, contra os 5.200 kwanzas praticados até Agosto. No retalhista, segundo constatou o VALOR, o saco de 50 quilogramas, custa actualmente nove mil kwanzas, com a tendência de subida em Dezembro. A prioridade das vendas no Entreposto, segundo o responsável comercial, recairá sobre as padarias e posteriormente aos comerciantes.

O Entreposto vende, semanalmente, entre quatro e cinco mil sacos de farinha e tem 15 mil sacos em armazéns para atender o mercado.

QUEM É QUEM?

A Grandes Moagens e a Moagem do Kikolo são as importadoras de trigo em grão que, depois de transformado em farinha, é vendido a grossistas, entre os quais o Entreposto e o grupo Zahara.

No mercado, estão outros intervenientes, os importadores, em que se destacam a Angoalissar que, devido a dificuldades no acesso às divisas, também está, nos últimos meses, a recorrer à Grandes Moagens.

O presidente da Associação dos Panificadores de Angola (AIPP), Gilberto Simão entende que o preço praticado pelos importadores é especulativo, acusando-os de serem “um pequeno grupo protegido para beneficiarem das divisas”.

Entre a facilitação ou não, o secretário de Estado da Agricultura, Carlos Alberto, esclareceu que não há oferta suficiente de trigo e nunca houve mesmo no tempo colonial e que, para suprir as necessidades, o país vai continuar a ter ainda uma componente de importação, sobretudo nos períodos em que se regista quebra nos armazéns ou de maior procura, como é o da Quadra Festiva.

Carlos Alberto referiu que Angola não quer continuar a importar farinha, mas sim trigo em grão para ser transformado nas moagens existentes localmente. Segundo o secretário de Estado da Agricultura, falar de trigo é quase o mesmo que falar do arroz, produto que Angola importa anualmente 400 mil toneladas, contra os 60 mil que produz.

OVO TAMBÉM VAI DISPARAR

Produtores filiados à Associação Nacional de Avicultores de Angola (Anavi) reconhecem que a QuadraFestiva é um período de grande procura do ovo. E que, apesar de a produção actual atender às necessidades internas, com as importações proibidas há três anos, a procura é sempre maior do que a oferta.

Segundo Rui Santos, presidente da Anavi, a média mensal produzida pelos 120 produtores filiados é de 70 milhões de ovos, havendo outros produtores que não fazem parte da associação que também produzem grandes quantidades. Luanda, Bengo e Kwanza-Sul são os principais produtores.

O preço do ovo no produtor custa 40 kwanzas, quer em Luanda, quer em outras províncias e 70 kwanzas no revendedor. Na Quadra Festiva, o preço poderá subir no produtor, porque, por tradição, os ovos nunca chegam, como prevê Rui Santos.

No ano passado, a produção mensal de ovos, segundo estatísticas da Anavi, rondou os 60 milhões de ovos e, no primeiro semestre de 2019, deve chegar aos 80 milhões.

Nas contas do secretário de Estado da Agricultura, a produção interna de ovos é de 80%, daí a razão de haver sempre um défice que se revela mais no período de maior procura.

Em relação à carne de frango, Rui Santos deixou claro que 99% do produto consumido no mercado nacional é importada. Apenas uma empresa produz localmente algum frango para o abate, mas a representação é “pouco expressiva”.

 

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