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AUTOMÓVEL. Do total de 13.347,99 milhões de dólares utilizados para a importação de mercadoria em 2017, mais de 800 milhões foram para a compra de veículos, que resulta num crescimento de cerca de 150%. No entanto, chegaram ao país viaturas no valor de 200 milhões. BNA explica diferença com compra de tractores e acessórios.

Banco nacional de Angola201606042927

Há uma diferença de cerca de 600 milhões de dólares entre o valor das importações de veículos e o custo estimado das 10.605 unidades que chegaram ao país em 2017. Segundo estimativas dos importadores, o custo médio de uma viatura é de 20 mil dólares, o que fixa em cerca de 212,1 milhões de dólares o custo total das unidades importadas, no ano passado. Mas os dados do Banco Nacional de Angola (BNA) dão conta que foram importados veículos no valor de 869,1 milhões de dólares, como resultado de uma variação de 149,3% (a maior registada entre as várias mercadorias) desde os 349,7 milhões de dólares de 2016. Os operadores questionam o destino dessas divisas.

“Se se assumir um preço médio de aquisição de 20 mil dólares, para 10 mil carros, os gastos são de 200 milhões. Não percebo para onde foram os restantes fundos”, questiona-se Jaime Freitas, director da Cosal, empresa representante da Hyundai e com interesses nas representantes da Mitsubishi, Mercedes e Suzukyi.

O director-geral da DAIMIC, Zamir Ibraim, concorda que existe uma disparidade “considerável” entre os valores disponibilizados e o custo das unidades importadas. Mas prefere acreditar que esteja ligada ao pagamento de facturas atrasadas e compra de peças. “Porque, desde 2014, havia muitas restrições, o nosso sector não era prioridade e ficaram muitas facturas por serem pagas”.

O presidente da Associação dos Concessionários de Equipamento, Transportes Rodoviários (Acetro), Nuno Borges, também acredita que o aumento considerável do valor das importações, “bastante mais elevado do que em 2016, terá que ver com pagamentos de atrasados e importações específicas para ano de eleições, polícia e forças armadas”.

No entanto, Jaime Freitas não acolhe o argumento da dívida. “Não acredito que possa ser isso em nenhuma circunstância mesmo tendo em atenção as dívidas da TD, Toyota e Robert Hudson”, rejeita e adianta uma possível razão: “Poderá ser o pagamento diferido de importações anteriores ou para o pagamento antecipado do que deveria ser fornecido em 2018 (aquisições do Estado???). Não vejo outras explicações”.

O BNA esclarece que, apesar de fazer referência apenas a veículos, “o valor apresentado no Relatório e Contas não inclui apenas a importação de viaturas, mas, sim, da posição pautal dos veículos, de acordo com o sistema harmonizado de codificação das mercadorias, isto é, inclui veículos automóveis, tractores e motociclos, partes e acessórios”.

Nuno Borges sublinha que, “neste caso”, se calcula que as peças representaram “cerca de 50 milhões em 2016 e 60 milhões em 2017”, acrescentando não ter elementos para avaliar tractores e motociclos, “mas será um valor que não irá além de 3% a 4% do total”.

Por sua vez, Jaime Freitas, apesar de reconhecer que a explicação tem “lógica e corresponde à realidade da classificação”, prefere colocar entre aspas a possibilidade de estar correcta.

Menos importações

Apesar de se registar também um aumento, no caso de 81%, na quantidade de viaturas importadas, os números mostram que os importadores não sentiram o impacto da maior disponibilidade de divisas. As importações dos associados da Acetro, por exemplo, recuaram 29,4% para 2.165.

O aumento foi garantido sobretudo pelo mercado paralelo e organismos ministeriais, cujas importações cresceram 205%, passando de 2.765 viaturas para 8.440. Em conjunto, os ministérios da Saúde e dos Transportes importaram 1.160 unidades.

No global, com 1.003 unidades, o maior importador foi a Sogepower, que, no ano passado, não constava entre os 15 maiores do mercado paralelo.

Por sua vez, registou-se uma redução de 31% nas importações da Facar, o único importador com presença no ‘top 15’ dos importadores do mercado paralelo nos últimos três anos.

Jaime Freitas lamenta que o mercado paralelo beneficie de mais divisas que as concessionárias. “Quando, num país, o paralelo é cerca de 75% do oficial, não é preciso dizer mais nada nem fazer entrevistas, pois torno-me ridículo. Não quero entrar em situações desta natureza. Só lhe transmito que nem consigo divisas para comprar peças e manter as oficinas abertas como é o caso da Maruti/Suzuki”, acrescenta.

Nuno Borges estima em cerca de 107,5 milhões o valor das importações das associadas da Acetro, em 2017, mas esclarece que não correspondem aos pagamentos nesse ano, mas sim a importações. “Os pagamentos são, em parte, feitos no respectivo ano, mas cerca de 50%, em média, diferidos em anos seguintes.”

Segundo a explicação, em 2017, a Acetro terá pago mercadorias no valor de pouco mais de 50 milhões de dólares.

A Acetro estima em cerca de 75 milhões de dólares o valor das importações dos associados até ao fim do ano, acrescentando que o “mercado paralelo e usados será sensivelmente o dobro do valor”.

 

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