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DIPLOMACIA. Governo liderado por Jair Bolsonaro, que entra em funções em Janeiro de 2019, deverá apostar no investimento privado. Embaixador acredita que o momento pode ser “ideal” para que as construtoras brasileiras se reposicionem em Angola.

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A eleição de Jair Bolsonaro à presidência do Brasil, a 28 de Outubro, poderá levar as construtoras brasileiras a redimensionarem a posição que detêm nos mercados além fronteiras, incluindo em Angola.

Este posicionamento é defendido pelo embaixador do Brasil em Angola, Paulino de Carvalho Neto, que, em declarações exclusivas ao VALOR, considera que o presidente eleito e a sua futura equipa económica têm sinalizado uma “clara intenção” de implementar uma agenda de reformas económicas.

Com base nesse quadro, o diplomata espera que as construtoras, já sob a observação de novos procedimentos de ‘compliance’, “tenham melhores condições financeiras para incrementar os seus investimentos externos e ampliar a actuação em países como Angola, que oferece excelentes oportunidades de negócios na área de construção civil”.

O diplomata, que reconhece a a diminuição do espaço das construtoras brasileiras, nos últimos anos, lembra, no entanto, que tal não aconteceu somente em Angola. “Aconteceu também noutros países, no contexto de crise económica no Brasil, entretanto já ultrapassada”, ressalta, reforçando que a situação terá também ocorrido “como consequência de certa reorientação dos procedimentos de ‘compliance’ por que essas empresas passaram a seguir mais recentemente.”

Em Angola, o financiamento das operações de construtoras como a Odebrecht, Camargo Corrêa, Queiroz Galvão e Andrade Gutierrez eram sobretudo suportadas pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Económico e Social (BNDES).

Em Maio de 2016, na sequência de suspeitas de corrupção nas empreitadas em Angola, o banco público brasileiro viria a anunciar a suspensão do pagamento de 4,7 mil milhões de dólares para o financiamento de 25 contratos no exterior de empresas de engenharia e construção investigadas no âmbito da conhecida operação ‘Lava Jato’, na qual a Odebrecht é uma das principais visadas.

O bloqueio teria afectado três das principais obras da Odebrecht em solo angolano: o Pólo Agro-industrial de Capanda e as barragens de Laúca e Cambambe, que receberiam, no total, um montante avaliado em 808,8 milhões de dólares do banco.

A operação ‘Lava Jato’ viria, ainda em 2016, a afectar também outras quatro construtoras brasileiras: a OAS, Queiroz Galvão, Camargo Corrêa e a Andrade Gutierrez, nas operações que detinham em Angola e em Moçambique.

RELAÇÃO ECONÓMICA INTENSA

Entretanto, em conferência de imprensa, em Luanda, o embaixador do Brasil em Angola, Paulino de Carvalho Neto, afirmou que o presidente eleito (Jair Bolsonaro), que entra em funções a 1 de Janeiro de 2019, continuará a privilegiar a intensa relação económica e comercial com Angola.

Na óptica do diplomata brasileiro, o presidente Jair Bolsonaro deverá adoptar uma política económica liberal em que privilegiará a iniciativa privada e os investimentos no sector privado.

Paulino de Carvalho Neto diz, por outro lado, estar “optimista” que a cooperação entre o Brasil e Angola, em diversas áreas, continuará a ser relevante.

“Angola é tradicional parceiro comercial do Brasil e país receptor de investimentos de empresas brasileiras. A comunidade empresarial brasileira que vive em Angola é expressiva e a sua contribuição para a economia local é reconhecida pelas autoridades e sociedade angolanas”, reforçou.

O volume de comércio entre os dois países está a retomar, segundo o diplomata, um nível mais elevado, próximo de mil milhões de dólares.

Em 2017, a troca comercial entre os dois países foi, segundo Paulino de Carvalho Neto, de 936 milhões de dólares, sendo 670 milhões de exportações brasileiras (principalmente açúcar, carnes e outros produtos do agronegócio) e 265 milhões de importações brasileiras (essencialmente petróleo).

 

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