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ANÁLISE. Investigadores do CEIC e a GB-Consultores previnem Governo para a forma de alocação das receitas do petróleo nos quase 90 dólares. Evitar “exuberância” na despesa e muita “oração” é que o advertem ao PR que fechou um ano de mandato marcado por viagens e por detenções de altos quadros.

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Angola pode vir a ter as reservas internacionais líquidas equilibradas se o Governo cativar a “exuberância” com gastos e incentivar a produção interna para diminuir a exportação de bens e serviços, com o petróleo a situar-se acima dos 80 dólares. Esta é a projecção dos investigadores do Centro de Estudo e Investigação da Universidade Católica de Angola (CEIC) e analistas da GB-Consultores.

Depois do rigor com a aplicação dos recursos do petróleo, analistas aconselham João Lourenço a ter cuidado com a despesa, com indicações de que os proveitos do barril, acima dos 80 dólares, dêem coberturas à saúde e à “eficiência” da administração pública.

Para que isso se concretize, o Governo “precisa de orar”, acrescentam os analistas, sobretudo para que o petróleo se mantenha nos níveis actuais e continue a dar resultados. “Se assumirmos com realismo que o petróleo ainda desempenha um importante papel no equilíbrio das contas públicas e é decorrente dos resultados das suas exportações que se pode encarar com algumas expectativas o desiderato estratégico da diversificação da economia, temos de “orar” para que se mantenha esta actual tendência de subida dos preços desta ‘commodity’ a níveis muito acima dos estimados no nosso plano financeiro”, advertem os peritos do escritório GB-Consultores, através do sócio gerente Galvão Branco.

Desde 8 de Outubro que o preço do barril do brent – referência para exportações de Luanda – não sai dos 80 dólares. No dia anterior ao fecho desta edição, a ‘commodity’ abriu bem perto dos 85, precisamente 84.98, para, no fecho da sessão, se fixar nos 83.09. É uma tendência desde finais de Setembro, apesar de a evolução preços vir de mais longe. Só a 11 de Setembro, dia histórico para Wall Street (devido às celebrações dos atentados das Torres Gémeas), um barril de brent custava apenas 77,38 dólares, quando no fecho se fixou 79,06 desde então foi sempre a subir.

Nenhum desses valores está perto do que João Lourenço e sua ‘entourage’ económica desenharam para os 12 meses que terminam em Dezembro.

No seu plano de governação para 2018, o Executivo estimou o petróleo a rondar nos 50 dólares. E, se as recentes tendências prosseguirem, Angola terá perto de 40 dólares de excedentes por barril nos próximos meses. Quanto às resrevas internacionais líquidas (RIL), até Setembro, estavam fixadas nos 3.519.542 milhões de kwanzas, cerca de 11.594,3 milhões dólares. Se o preço do petróleo continuar a subir, especialistas não têm dúvidas de que isso se traduzirá numa “almofada financeira”.

País ganha receitas…

É aqui onde os analistas sugerem maior fiscalização e melhor alocação das receitas, uma vez que, com o petróleo acima das margens do Governo, o país embolsa mais recursos. “É claro que provocará um ligeiro aumento nas receitas, quer de exportação, quer fiscais, mas não tanto quanto os anos anteriores (2012 e 2013), visto que as quantidades exportadas estão a diminuir”, apontam os analistas do CEIC, pela voz do investigador sénior Francisco Miguel Paulo.

Pelas contas do CEIC, em 2016, Angola exportou 611 milhões de barris. Já em 2017, esse número recuou 5,8% para 575 milhões. “E neste ano provavelmente o nível será ainda menor. Durante o período da baixa do preço, as empresas não fizeram investimentos e agora não há como aumentar a produção”, observa Francisco Paulo.

…E deve cortar “exuberância”

O dono da GB-consultores lembra ainda que, pelo que já passou o país, “não devemos voltar a cair em atitudes de exuberância perante esta situação”. Para o responsável, “esta tendência altista não é sustentável, uma vez que não resulta das relações de valor de mercado, mas sim de interesses políticos e geoestratégicos dos principais consumidores e dos países produtores”.

“Deve haver muita moderação na utilização dos recursos adicionais que resultam desta precária situação de geração de receita”, adverte o consultor financeiro.

Já o CEIC, que concorda que a subida do preço do petróleo pode gerar receitas e aumentar nas RIL, que as mesmas podem encolher se não se controlarem importações. “O aumento das exportações implica aumento das reservas internacionais, mas não se esqueça que o aumento das importações, por sua vez, diminui as reservas”, analisam peritos do centro que elabora os relatórios económico e social de Angola.

 

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