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A despesa corrente total sem juros em Angola, entre 2014 e 2017, desceu 64% devido à redução de 92% nos subsídios, 73% nas compras do Estado, 48% nas prestações sociais e 41% nas remunerações.

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Os dados constam do capítulo sobre Política Monetária e Cambial no livro ‘Relatório Económico de Angola 2017’, documento elaborado pelo Centro de Estudos e Investigação Científica (CEIC) da Universidade Católica de Angola (UCAN), apresentado na segunda-feira (8), em Luanda.

O investigador do CEIC, Heitor Carvalho, um dos autores da obra, explicou que a redução de 41% nas remunerações teve reflexos negativos para os cidadãos, nomeadamente os funcionários públicos, que "viram os rendimentos drasticamente reduzidos pelo congelamento de salários num quadro de fortíssima inflação".

Segundo Heitor Carvalho, Angola atingiu um nível de despesas correntes sem juros de 15%, em 2016, e 14,5%, em 2017, defendendo a mudança de paradigma das despesas estatais, "que devem sair de um Estado controlador para um Estado que se preocupa com a saúde, segurança e infra-estruturas necessárias".

"Há também que melhorar a produtividade, que depende em grande parte da organização do trabalho. É necessário que se faça primeiro tudo o que é prioritário", disse.

No estudo do CEIC é adiantado que, no âmbito do desdobramento do investimento público, pelo menos metade da despesa vai para a aquisição ou arrendamento de mais edifícios públicos".

"Na situação actual, parece mais ou menos evidente que já existem demasiados edifícios públicos que o Estado tem de vender e desocupar", apontou. "Para quê, então, construir um novo centro administrativo na Praia do Bispo, em Luanda? Como se justifica fazer uma auto-estrada, no Soyo, Zaire, num momento em que falta tudo nos hospitais?", questionou.

O responsável do CEIC da UCAN, Alves da Rocha, também considerou que a dívida interna do Estado "secou a disponibilidade dos bancos para o crédito à economia". "Boas políticas fiscais e monetárias são as que promovem a produção nacional", concluiu.

 

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