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PANIFICAÇÃO. Preço do pão subiu de 30 para 75 kwanzas, por causa da dependência da farinha que vem do exterior. Governo tem um plano de revitalização das moagens de trigo. Associação dos panificadores também, mas a execução tarda.

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O presidente da Associação dos Panificadores de Angola (AIPP), Gilberto Simão, manifesta-se contra a subida do preço do saco de farinha de trigo e acusa os grandes importadores de estarem a enganar o Presidente da República ao praticarem “preços especulativos” com as suas justificações, para benefícios particulares.

“Os grandes importadores não são honestos, não são patriotas, estão a enganar o Presidente da República”, ataca Gilberto Simão, em declarações ao VALOR.

Nos últimos dias, o preço do pão voltou a disparar, depois da escassez registada em Outubro do ano passado. O ‘cassete’ saiu 150%, saltando dos 30 kwanzas, em Agosto, para 75 kwanzas, actualmente, nalguns pontos.

O Entreposto Aduaneiro de Angola iniciou, na segunda-feira, a venda de 20 toneladas, a oito mil kwanzas o saco de 50 quilos, em vez dos anteriores 5.200 praticados em Agosto.

O administrador comercial do Entreposto, Fernando Sobrinho, justifica a subida com o facto de o produto ter sido adquirido no mercado interno, nas grandes moagens.

A situação, segundo o gestor comercial, ocorreu devido às dificuldades que, por vezes, o Entreposto encontra para, de forma atempada, manter o ‘stock’. A última aquisição foi feita em Julho. Em Setembro, teve de recorrer ao mercado interno e Fernando Sobrinho assegura que o Entreposto está a “envidar esforços” para efectuar uma importação em Novembro.

Gilberto Simão discorda, argumentando que o preço de oito mil kwanzas é “especulativo” e sugere, como alternativa, a atribuição à cooperativa dos panificadores da responsabilidade de importar o trigo, com a facilitação de divisas. Com essa hipótese, garante, o preço máximo “não devia ultrapassar os sete mil kwanzas mesmo com a flutuação do câmbio”.

O presidente da AIPP recorda que a população está pobre e não pode comprar o pão a mais de 20 kwanzas. Por isso, defende a baixa do preço da farinha de trigo para se “evitarem repercussões nefastas”. E dá como exemplo Moçambique, país onde, quando o preço do pão sobe, a população sai à rua. “O pão é o principal alimento e a subida deste produto mexe com as famílias, por isso é responsabilidade do Governo tomar medidas urgentes”, insiste.

As principais moagens de trigo, Kianda, Kwaba, em Luanda, Cerangola, em Benguela, e Saydi Mingas, na Huíla, deixaram de produzir na década 1990, ‘engolidas’ pela concorrência dos importadores.

A associação, que só em Luanda tem mil filiados, admite não ter condições para importar trigo. “Os filiados já não estão descapitalizados, estão de rastos e o pouco dinheiro que têm aplicam na compra de 50 sacos de farinha para vender no mesmo dia”, relata o líder associativo.

Para o gerente da padaria ADRAR, Jemal Mohamed, o preço do saco de farinha somado aos 35 mil kwanzas de compra de água, além da energia eléctrica, tem consequência directa no preço do pão.

Em Outubro do ano passado, o Governo apoiou a AIPP com um milhão de dólares para a compra de trigo, mas foi “insuficiente”, face à procura.

Em Angola, não há produção de trigo em grande escala. O Ministério da Indústria estima que a procura de farinha de trigo varie entre um milhão e 1,1 milhões de toneladas por ano, sendo a importação maioritariamente feita por privados.

A associação submeteu ao Governo um plano que visa reduzir o preço do trigo, passando pela criação de uma cadeia produtiva do pão, importação a curto prazo, recuperação das micro, pequenas e médias moageiras a médio prazo e cultivo de trigo a longo prazo. Para este desafio, precisam de ser capacitados com financiamentos bonificados, mas, segundo Gilberto Simão, ainda não houve qualquer resposta.

 

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