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ENERGIA. Isabel dos Santos reafirma que não usou fundos do Estado para a compra da Efacec e garante que a ENDE é quem não pagou a totalidade do valor correspondente à sua quota-parte pelo que teve a sua participação reduzida de 40% para 16%.

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João Lourenço terá ordenado a saída da Empresa Nacional de Distribuição de Electricidade (ENDE) da parceria que tem com Isabel dos Santos na Efacec Power Solutions, garantiu a empresária ao VALOR. “Foi-nos comunicado que foram dadas instruções, pelo sr. Presidente da República, ao ministro de Energia e Águas para a saída da ENDE da Efacec. As acções detidas pela ENDE serão vendidas no mercado internacional”, declarou.

Isabel dos Santos voltou a garantir que não adquiriu a empresa com fundos públicos, afirmando, antes pelo contrário, que foi ela quem avançou com os fundos que permitiram a entrada da ENDE. “A Efacec foi comprada por 195 milhões de euros e a ENDE pôs 16 milhões de euros. Então como é que foi o Estado quem pagou?”, interrogou a empresária, acrescentando que “cada sócio deveria colocar a sua parte e pagar as suas acções”.

“Era suposto que a ENDE, pelos 40% do capital da Winterfell, pagasse 40 milhões de euros. Mas isso não aconteceu. Pagou apenas 16 milhões de euros, nunca chegou a pagar a totalidade. O restante do dinheiro teve de ser avançado pela própria Isabel dos Santos para que a ENDE pudesse entrar no negócio e titular as acções”, acrescentou.

Isabel dos Santos reafirma que, “não obstante esta parceria coxa, a Efacec saiu dos cuidados intensivos, ressuscitou e hoje é uma referência mundial na área da energia e engenharia. Deve custar muito a certos sectores engolir este sucesso de Isabel dos Santos”, avalia.

A parceria, segundo a empresária, “tinha tudo para dar em casamento feliz”, visto que “a ENDE passaria a ter acesso a competências de topo na área da energia e engenharia” e havia ainda “o projecto de se construir uma fábrica de transformadores e cabos eléctricos em Angola no ano seguinte, fazendo-se, assim, transferência de ‘know- how’ e criando 300 novos empregos qualificados”.

A Winterfell é detentora de 66,07% da Efacec que, em 2017, teve um crescimento nos lucros de 75% para os 7,5 milhões de euros.

Razão da suspeição

Não é a primeira vez que a empresária garante que a compra da Efacec “não foi financiada directa ou indirectamente pelo Estado ou recebeu de alguma forma fundos públicos angolanos”.

As suspeições de que terá beneficiado de fundos do Estado começaram, essencialmente, em Agosto de 2015 na sequência de um decreto presidencial que autorizava a ENDE a comprar 40% da Winterfell, que, cerca de três meses antes, oficializara a compra da Efacec Industrial. A desconfiança era ainda suportada pelo facto de se desconhecer o valor que a ENDE tinha pago pela participação, com determinada corrente a suspeitar que seria a totalidade ou a maioria do valor investido na compra da Efacec.

Na altura, alguns parlamentares portugueses solicitaram às autoridades lusas que verificassem se as regras de prevenção de ‘lavagem de dinheiro’ tinham sido cumpridas.

Futuro com interrogações

A relação de negócios da empresa, de origem portuguesa com Angola data dos anos 1960. Nos últimos anos, realizou alguns contratos significativos, como o assinado em 2014, para a reabilitação e reforço de potência da barragem de Luachimo, com uma duração de 37 meses e avaliado em cerca de 83 milhões de dólares. Naquele ano, o então director da empresa, José Cabral Costa, estimava em cerca de 100 milhões de dólares o volume de negócios da empresa em Angola. Tem ainda um contrato com a barragem de Laúca à qual, em 2017, forneceu um transformador trifásico de 371 MVA e níveis de tensão de 400/18 kV.