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SADC. Observadores calculam que o país ainda precisa de fazer o trabalho de casa para uma entrada ‘de cabeça erguida’ na economia regional.

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Na semana passada, Luanda acolheu a 43.ª Assembleia Plenária do Fórum Parlamentar da SADC para ‘reflectir’ sobre o ‘aprofundamento da integração económica por via da industrialização’. Ao discursar na cerimónia de abertura do evento, o Presidente da República referiu o paradoxo entre os abundantes recursos naturais dos países da SADC e o fraco desenvolvimento industrial e salientou que a comunidade contribui com 72% de platina do mundo, 55% de diamantes, 41% de cromita, 26% de ouro e 21% de zinco.

São números que levaram João Lourenço a considerar que “este é o momento de redefinir prioridades, acrescentando valor aos nossos recursos preciosos através da industrialização e maximizar os benefícios que podemos obter da exportação dos produtos acabados”.

Vários oservadores concordam que é aqui o ponto crítico. Ao VALOR, o jurista Marcos Chitanga diz que, entre os 15 países da Comunidade para o Desenvolvimento da África Austral (SADC), Angola é dos que mais “tarefa de casa deve fazer”, já que, “por causa dos erros do passado, não somos uma mais-valia”.

Chitanga considera que, “na corrida para a integração regional, apesar de termos essa necessidade, não temos agentes económicos para esta empreitada”, e, ao mesmo tempo, “continuamos com acumulação primitiva de capital, baseada na tez partidária”. “Somos uma potência em termos de recursos naturais, mas não conseguimos capitalizá-los, porque nos inspiramos muito na matriz marxista. Com esta vulnerabilidade associada à falta de infra-estrutruras básicas, como estradas para o escoamento de produtos, não vamos lá”, afirma.

Para Osvaldo Mboco, mestre em relações internacionais, há factores que travam o país em assumir, ‘de cabeça erguida’, a integração, a começar pelo facto de Angola, enquanto membro, ter ratificado o protocolo de comércio livre e, ao mesmo tempo, ter pedido reserva para não o implementar. “Tendo em atenção a falta de competitividade da economia, fraco desenvolvimento do parque industrial e a falta de uma classe empresarial, olhando para esse cenário, o país não está preparado para a integração, correndo o risco de tornar-se um mercado de escoamento de produtos de países mais industrializados da região, como a África do Sul”, aponta.

A inversão desse quadro, segundo Osvaldo Mboco, passa pela definição urgente de um plano nacional de industrialização que se ajuste aos desafios e à realidade do país.

O impulso do sector industrial, prossegue, depende de vários elementos dos quais se destaca a electrificação do país, o fornecimento de água e a criação de canais de comunicação e de escoamento de produtos e bens produzidos, como portos, aeroportos, caminhos-de-ferro, além de uma séria aposta na formação e capacitação dos recursos humanos.

“Temos de melhorar a nossa capacidade de exportação e reduzir a dependência para uma série de produtos que podem ser elaborados no país. Isso também concorre para a redução do desemprego”, referiu Mboco, reconhecendo, no entanto, que “a integração permitirá a ampliação do mercado, por meio da eliminação de obstáculos ao fluxo de mercadorias, desde que os Estados façam bem os seus trabalhos de casa”.

O bloco económico da SADC, além de Angola, integra a África do Sul, Botsuana, República Democrática do Congo, Lesoto, Madagascar, Malawi, Maurícias, Namíbia, Moçambique, Seychelles, Suazilândia, Tanzânia, Zâmbia e Zimbábue. Foi criado em 1992, com sede em Gaberone (Botsuana), e pretende “maximizar o uso dos recursos naturais, diminuir a pobreza e melhorar a qualidade de vida, bem como estimular o comércio de produtos e serviços entre os países membros”. Constam também dos objectivos do bloco regional a redução e unificação das tarifas alfandegárias e das taxas de importação e exportação nas relações comerciais.

 

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