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CONSTRUÇÃO. Escassez de materiais de construção de qualidade agrava-se. Comerciantes queixam-se da ruptura de ‘stocks’, por falta de divisas para a importação. Empreiteiros sentem-se ‘asfixiados’ por não honrarem os contratos.

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Iniciada em 2014, devido à crise com as divisas, a escassez de ‘stock’ está a ter um forte impacto na construção civil, resultando no abrandamento e/ou mesmo na paralisação de várias obras públicas e privadas em quase todo o país. No material eléctrico, por exemplo, o quadro chega a ser desolador a crer nas fontes e na constatação do VALOR. As lojas estão praticamente sem oferta. Não é fácil encontrar um simples quadro eléctrico ou disjuntor. Os poucos que aparecem não têm a qualidade desejada, segundo diversos operadores. “No mercado, podemos encontrar quadros incompletos, cabos de ferro em vez de cobre. O ferro não é bom condutor de energia. Também há lâmpadas, mas é tudo material sem qualidade”, reclama um encarregado de obras de Luanda, acrescentando que o quadro actual fará com que muitas obras sejam concluídas com material de qualidade duvidosa. “Há casos em que os proprietários preferem esperar, mas existem aqueles que, cansados, dizem para avançar mesmo com estes materiais”, revela.

Boa parte dos cabos eléctricos de ‘marca’ é de origem europeia. Com a entrada em funcionamento das fábricas Inducabos e Condel reduziu-se a importação, mas, em contrapartida, o produto ‘Made in Angola’ sai mais caro. Os custos de produção elevam o preço do produto final. Um rolo de 100 metros de fabrico local, que poderia custar entre cinco mil e sete mil kwanzas, é vendido por 15 mil ou 16 mil kwanzas, por exemplo.

Para ‘fintar’ as dificuldades, a construtora Casais investiu numa carpintaria, em Luanda, e perspectiva alargar a experiência a outras áreas.

O arquitecto urbanista José Marques afirma que “o problema não é apenas do material eléctrico, mas também de pregos que o país não produz”. Arrisca que “as insuficiências são enormes” e sugere “uma séria aposta no desenvolvimento da indústria para evitar a triste dependência da importação de quase tudo”.

A Associação Industrial Angolana (AIA) lembra que os materiais são fundamentais para o desenvolvimento económico e social uma vez que o país tem um défice muito elevado de habitação social e tem, na construção civil, um alto empregador. O seu presidente, José Severino, espera que, “com o actual modelo de gestão cambial, seja possível ter, a partir deste ano, uma maior oferta destes materiais e de várias origens”.

“Infelizmente, a qualidade dos materiais é um problema que estamos com ele”, acrescenta e não somente neste domínio, recomendando investimentos em mais siderurgias e vidro laminado, material sanitário, azulejos e mosaicos, bem como material de acabamento.

Lojas às moscas

Em muitos estabelecimentos comerciais de venda de material de construção, é visível a ruptura. Os comerciantes, instados pelo VALOR, apontam, na origem da ‘crise’, a “excessiva burocracia no acesso às divisas”.

A Siluz está no mercado há vários anos, com venda de material eléctrico em lojas em Luanda e noutras províncias. Na do Morro Bento, uma das cinco da capital, as prateleiras estão a ‘minguar’ e a gerência explica o motivo com as dificuldades de acesso às divisas para a importação e renovação dos ‘stocks’, embora aponte que o cenário poderá melhorar nos próximos tempos, com a chegada de 10 contentores.

Aqui, os quadros eléctricos variam entre os 20 mil e os 120 mil kwanzas, conforme a potência, de monofásicos aos trifásicos. Se as tomadas custam pouco mais de 200 kwanzas, os interruptores oscilam entre mil e 1.600 kwanzas. Já os 100 metros de fio eléctrico variam entre os 13.500 kwanzas ae os 65 mil kwanzas. Na ‘Beiranorte’, nas imediações do Gamek, o fio de 1,5 mm custa 9.500 kwanzas e o de 2,5mm 13 mil kwanzas, a tomada fica por 600 kwanzas, havendo outras marcas do mesmo produto a serem comercializadas a 18.600 kwanzas. No mercado informal, os preços não são muito diferentes.

Na ‘Praça da Madeira’, há material para todos os gostos e bolsos e com a vantagem de o cliente discutir a redução do valor do artigo com o vendedor, mas é ali onde abundam produtos sem qualidade, nem garantias. Isso “incomoda” os gestores da Siluz e não só já que, como afirmam, com esse ‘modus operandi’, perde quem paga imposto.

“Se continuar este sistema, com as mesmas limitações cambiais, corremos o risco de fechar as portas”, adverte a fonte, que alerta para os cuidados a observar por altura da aquisição dos produtos.

A classificação dos produtos em A, B ou C, geralmente, vem estampada nas embalagens. “Quem se dirige a uma loja deve estar seguro de que vai comprar artigos de qualidade e com garantia assegurada”, sublinha um dos proprietários, amargurado com a redução das vendas, no seu estabelecimento comercial, na ordem de 50%.

Fraca produção

A redução das importações é ainda uma miragem. No ano passado, a ministra da Indústria, Bernarda Martins, garantia que “Angola substituirá a importação de materiais de construção, através da utilização da capacidade produtiva nacional, quando os seus produtos forem competitivos em qualidade e preço”.

O Governo fala no fomento das exportações, mas esta orientação, segundo a governante, “é ameaçada com a falta de competitividade por esta constituir um impedimento à criação de uma cultura empresarial”. Uma competitividade industrial que, na sua óptica, “dependerá fortemente do seu enquadramento legislativo e das normas e procedimentos que lhes serão aplicáveis, nomeadamente dos sistemas de licenciamento industrial, de qualidade, normalização, certificação e acreditação, da garantia da defesa da propriedade industrial e intelectual e do funcionamento eficaz da inspecção industrial”.

 

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