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DIVISAS. Gigante asiático pretende aproveitar a influência que tem no mercado petrolífero para impor a sua moeda e Angola está na agenda como país de ensaio. Especialistas entendem que pode ser positivo, desde que as negociações sejam bem-feitas.

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O plano da China de aproveitar a condição de influente comprador mundial de petróleo para promover a internacionalização do yuan apresenta-se como um grande desafio para Angola, devido à forte possibilidade de reduzir a importância do dólar no sistema financeiro nacional.

As informações da existência do plano chinês foram postas a circular, na última semana de Março, por diversos órgãos internacionais com recurso a fontes não identificadas, mas não confirmadas nem desmentidas pelos diversos organismos chineses.

É consensual entre os especialistas de que existe, efectivamente, este plano. E justificam-no, sobretudo, com a abertura da Shangai International Energy Exchange (SIEEX), unidade da bolsa de Shangai Futures Exchange que vai permitir negociar contratos de petróleo em yuan.

O investigador do Centro de Investigação da Universidade Católica José Oliveira entende que o crescimento desta unidade estará dependente da aceitação, por parte dos maiores vendedores. “Um dos factores que vai influenciar o crescimento desta nova bolsa de negociação de petróleo na China com base em contratos de futuros vai ser a aceitação, por alguns países grandes exportadores como a Arábia Saudita, Rússia, Angola, Irão, Iraque etc, de alguns pagamentos em moeda nacional, o yuan. Se tal não acontecer, a nova bolsa não vai crescer muito nos primeiros tempos”, respondeu a convite do VALOR para analisar os riscos e vantagens para Angola da possível substituição do dólar pelo yuan.

Informações divulgadas pela imprensa internacional dão conta da intenção da China de iniciar o uso o yuan ainda este ano e, numa primeira fase, com as compras nos dois maiores vendedores, ou seja, Angola e Rússia.

José Oliveira entende que a introdução do yuan nas compras de Angola “tanto pode ser negativa como positiva”, dependendo da habilidade nas negociações. “É positivo se apenas englobar as exportações de petróleo destinadas ao pagamento da dívida de Angola, fruto dos financiamentos da China. Mas, para que tal aconteça, e de forma neutra – sem prejuízos para ambas as partes –, é necessário que as entidades financeiras dos dois países negoceiem para, primeiro, converter a dívida à China, ou parte dela, de dólares para yuans”, argumenta José Oliveira.

Para o especialista em questões energéticas ,“o que Angola não deve, para já, permitir, enquanto o yuan não for uma moeda internacional e convertível, é que as exportações de petróleo que agora lhe são pagas em dólares, e que o país usa no comércio internacional passem a ser pagas na moeda chinesa”.

“Os chineses estão, de forma lenta, a internacionalizar a sua moeda, mas ainda há muito caminho para andar nos próximos anos para que ela possa ser aceite nos pagamentos internacionais como acontece com o dólar, euro, yen ou franco suíço, a não ser nos casos em que o montante recebido se destine a amortizar divida à China”, acrescenta.

Por sua vez, o economista Cristóvão Neto entende que “assim, à primeira vista, é positivo para Angola”, devido à escassez de divisas das economias petrolíferas. “Também é uma tendência antiga da economia mundial, a pluralidade das moedas. Ou seja, o mercado das moedas torna-se mais plural e o dólar e as outras deixem de ser as únicas moedas fortes. Pelo volume de comércio que proporciona, a moeda chinesa vai tender a ser aceite na maior parte das economias”, argumenta.

A possibilidade de o plano chinês concorrer para reduzir o dólar no sistema financeiro deve-se ao facto de o petróleo representar mais de 90% das exportações angolanas e a China ser o maior destino do petróleo angolano. Em 2016, por exemplo, segundo o relatório e contas da Sonangol, a China adquiriu 48% das exportações. Ainda em 2016, o gigante asiático pagou cerca de 13,7 mil milhões de dólares pelo petróleo angolano, segundo a Administração Geral de Alfândega da China que dá conta ainda de que, em 2017, a China pagou 19,4 mil milhões de dólares.

Last modified on terça, 10 abril 2018
 

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