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PROFISSÕES. Projecção feita pelo coordenador da comissão directiva da Ordem dos Economistas de Angola aponta para a necessidade de mais de 40 mil profissionais. Fausto Simões quer a Ordem a intervir no ensino da economia em Angola.

Fausto Simões

Angola tem cerca de quatro mil economistas, para necessidades estimadas em mais de 40 mil, o que perfaz um défice superior a 90%. Os cálculos, ao VALOR, são do coordenador da comissão directiva da Ordem dos Economistas de Angola (OEA), Fausto Simões, durante a criação da Ordem socio-profissional, que pretende tornar-se num parceiro para ajudar a resolver os problemas da economia.

Segundo Simões, a curto prazo, a organização quer ter um “papel eficaz no crescimento da economia”, através da “via do diálogo permanente”, lembrando que, enquanto comissão instaladora, foi chamada à Comissão de Economia e Finanças para dar opinião sobre o OGE 2018”.

A Ordem ambiciona também discutir o ensino da economia em Angola, com o enfoque na reforma do currículo académico, de forma a diminuir o fosso entre cursos.

“Temos professores que dão aulas em várias faculdades de economia matérias completamente díspares que não são recomendáveis para uma nação jovem como Angola”, observa Simões, acentuando que “os estudantes devem aprender o necessário e não dar coisas que sejam supérfluas, teóricas e que, na prática, não representam nada”.

Fausto Simões antecipa que os economistas vão ter carteira profissional, prevendo-se também a criação do Conselho Nacional de Ensino e Formação, onde os reitores e decanos de universidades vão ter assento, para partilhar conhecimentos.

A OEA tem, como principal missão, a defesa dos interesses da classe, assente numa “parceria estratégica com o Estado”, bem como a sua inserção em organizações internacionais, tanto globais como regionais, como a União Africana, a SADC e a CPLP.

A Ordem pretende também dar primazia ao domínio técnico-científico, com abordagens às ciências, desenvolvimento e inovação. Já foram estabelecidos, neste sentido, quatro colégios especializados, ligados à macroeconomia, empresas, finanças, estratégia e desenvolvimento.

Prevista está também a criação de órgãos de consultoria. Numa primeira fase, para se candidatar a membro da Ordem, basta ter-se uma licenciatura. Um estágio profissional será exigido “quando as condições estiverem materializadas”, de modo a conferir-se “maior endurance” aos candidatos.

Durante mais de um ano, a comissão instaladora elaborou o estatuto e os regulamentos disciplinares e eleitorais, submetidos à aprovação da assembleia constitutiva da Ordem, que também elegeu a comissão directiva provisória até que seja aprovada pelo Conselho de Ministros e publicada em Diário da República. Só depois disso será eleito o primeiro bastonário.

A OEA integra a assembleia-geral, o conselho fiscal e o conselho nacional executivo.

 

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