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SECTOR FERROVIÁRIO. Presidente congolês deu garantias a Angola de que os Caminhos-de-Ferro de Benguela poderão transportar minério da RDC, já a partir deste mês. Atraso deve-se apenas à finalização de pequenas obras no troço, que passa pelo território da RDC.

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O primeiro carregamento de manganês, oriundo da República Democrática do Congo (RDC), através do Caminho-de-Ferro de Benguela (CFB), poderá já arrancar no próximo dia 14 de Dezembro, admitiu o presidente da RDC, Joseph Kabila, durante a visita que o ministro dos Transportes, Augusto Tomás, efectuou recentemente àquele país, revelou, ao VALOR, fonte da instituição angolana.

Em Julho deste ano, esta intenção já tinha sido anunciada pelo então administrador para a área técnica dos CFB, Luís Teixeira, tendo afirmado, em declarações à imprensa, que a empresa angolana passaria, num curto espaço de tempo, a transportar os produtos provenientes das minas de Catanga, na RDC, para serem escoados via Porto do Lobito.

A efectivação do processo estaria a depender de um acordo comercial entre os dois governos, algo que terá sido já dirimido no encontro que o ministro dos Transportes angolano manteve com o estadista congolês.

Augusto da Silva Tomás deslocou-se a Kinshasa, na qualidade de enviado especial do Presidente da República, João Lourenço, tendo sido recebido em audiência pelo chefe de Estado congolês, Joseph Kabila, a quem entregou uma missiva do homólogo angolano, inscrita no reforço da amizade e cooperação bilateral, com particular ênfase para a dinamização da ligação ferroviária entre ambos os países, mediante o uso do CFB.

Durante o encontro, o presidente congolês referiu que, numa primeira fase, parte do ramal que está mais próximo do seu território “está a beneficiar de pequenas intervenções, enquanto se trabalha, também, na recuperação da linha-férrea, por troços”.

Para o ministro dos Transportes angolano, o acordo assinado em Kinshasa entre o Caminho-de-Ferro de Benguela e a Sociedade Nacional dos Caminho-de-Ferro do Congo (SNCC) vai permitir que os dois povos tenham maiores benefícios económicos e financeiros e uma grande redução de custos para as empresas mineiras.

O Governo angolano já reabilitou 1.344 quilómetros de linha férrea no CFB, além de ter já construído 67 estações entre especiais, de primeira e de segunda classes. Foram também reabilitadas oficinas e adquirido material circulante, segundo dados oficiais.

Augusto Tomás fez saber igualmente, durante o encontro com o presidente Joseph Kabila, que foram já construídos três centros de formação profissional, “que podem também estar à disposição das autoridades congolesas e da SNCC”.

O acordo comercial entre o CFB e a SNCC estabelece os termos de utilização conjunta da linha férrea entre os dois países e foi assinado em Kinshasa a 15 de Novembro pelo presidente do conselho de administração interino do CFB, Luís Teixeira, e o director-geral da SNCC, Ilunga Ilunkamba, na presença de José Makila Sumanda, vice-primeiro ministro encarregado dos transportes e vias de comunicação da RDC, e de Augusto da Silva Tomás, ministro dos Transportes de Angola.

PONTO MAIS ALTO

O ponto mais alto na história da empresa do CFB, nos últimos anos, deu-se a 14 de Fevereiro de 2015, quando o ex-chefe do Estado angolano, José Eduardo dos Santos, na presença de Joseph Kabila, pela RDC, e Edgar Chagwa Lungu, pela Zâmbia, descerrou a placa de inauguração da estação do Luau, pondo fim a uma paralisação de cerca de 32 anos da circulação do comboio nesta região.

A viagem inaugural do comboio do CFB até à vila na fronteira com a RDC ocorre, no entanto, neste período, numa viagem que durou cerca de 30 horas, para percorrer mais de 1.300 quilómetros.

A obra da infra-estrutura, concluída em 2014, esteve a cargo da empresa China Railway Construction Corporation (CRCC), tendo implicado um investimento avaliado 1,83 mil milhões de dólares.

A construção desta linha iniciou-se a 01 de Março de 1903, durante a colonização portuguesa, e ficou concluída cerca de 26 anos depois. Contudo, a guerra civil que se registou provocou a destruição das infra-estruturas, com o comboio a deixar de chegar à fronteira em 1983.

A ligação entre o Lobito e Luena, a capital do Moxico, foi restabelecida em 2012, sendo o transporte de passageiros sido alargado até ao Luau.

Esta linha deverá garantir o transporte anual de 20 milhões de toneladas de carga e de quatro milhões de passageiros, segundo os dados oficiais. Posteriormente, deverá avançar também a ligação férrea com a rede da RDC, sendo conhecido um projecto na Zâmbia que permitirá a interligação com Moçambique.

PAPEL DO GOVERNO CONGOLÊS

Para o economista António da Conceição, para viabilizar economicamente todo o corredor infra-estruturado de desenvolvimento do Lobito, caberá agora ao governo congolês estar “mais galvanizado e motivado” para avançar com o projecto de reabilitação dos 427 quilómetros do troço que compõe a parte congolesa do ramal.

Com a assinatura do acordo entre os dois países, o economista espera uma “diminuição significativa” dos custos de logística dos países e regiões encravadas da África Austral, tanto nas importações como nas exportações de mercadorias.

 

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