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AQUICULTURA. Há três anos que se regista uma tendência decrescente na produção do cacusso, aumentando o défice entre a produção alcançada e a perspectivada. Associação Nacional de Aquicultores culpa o Ministério das Pescas por realizar projecções considerando empresas que já não existem.

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As metas de produção da tilápia (cacusso), avançadas pelo Governo, não são alcançadas desde 2014 e o presidente da Associação Nacional de Aquicultores, Saraiva Santos, aponta o dedo ao Ministério das Pescas, por incluir, nas projecções, empresas que só “existem no papel”.

Em declarações ao VALOR, à margem do 1.º Encontro Nacional de auscultação sobre a Aquicultura, Saraiva Santos imputou as culpas à criação de muitas empresas por expatriados “apenas para a obtenção de dólares junto dos bancos”. E são estas, segundo o líder associativo, que entram nas contas governamentais. “Alguns destes gestores, depois da crise financeira, deixaram o país”, reforça Saraiva Santos, acrescentando que, “Angola é para todos, mas nem todos são por Angola”.

O director nacional da Aquicultura, António da Silva, evitou culpar quem quer que fosse pelo falhanço das metas, apontando razões de “ordem conjuntural”, como, por exemplo, “a falta de ração e de capacitação técnica”.

O encontro pretendeu ouvir as principais questões e constrangimentos que as empresas produtoras e parceiros enfrentam. António da Silva garantiu que todos os participantes puderam fazer análises livres sobre a aquicultura, admitindo ser “necessário melhorar as estatísticas”.

O real e a perspectiva

A diferença entre a produção alcançada e a perspectivada tende a aumentar de ano para ano. Em 2014, a produção total do cacusso foi de 305 toneladas, quando as previsões do Governo apontavam para as 500. Ou seja, registou-se um défice de 39%. Se se mantiver a tendência, a diferença, este ano, ainda será maior. A perspectiva de produção é de três mil toneladas e, nos primeiros dez meses, foram produzidas 1.003 toneladas, fixando a média mensal em cerca de 100 toneladas. A manter-se esta média, até ao final do ano, a produção fixar-se-ia em cerca de 1203,6 toneladas o que representaria um défice de cerca de 60%, comparativamente à meta das três mil toneladas previstas.

Problemas consensuais

No primeiro encontro, os representantes das 18 províncias convergiram na elaboração da lista dos constrangimentos, que tem, no topo, a falta de ração de produção nacional, seguido da falta de financiamento dos bancos e de capacitação técnica dos operadores.

A ração importada não chega para todos e os preços são considerados elevados, atingindo os 400 kwanzas por quilo. Para alimentar uma tonelada de peixe, são necessárias 1,5 toneladas de ração. Ou seja, 600 mil kwanzas por ano.

A Associação Nacional de Aquicultores garante ter projectos remetidos aos bancos há três anos, mas ainda sem respostas. A falta de financiamento e as taxas cobradas pelo Ministério do Ambiente, consideradas altas pelos operadores, também concorrem para a diminuição das empresas de ano para ano, segundo esta associação que tem registadas cerca de 130 empresas.

Adão Pereira, director provincial da Agricultura e Pescas do Kwanza-Sul, defendeu que “dos problemas foram apresentados, muitos são velhos” e que os aquicultores “aguardam por uma resposta dos ministérios envolvidos” e aproveitou para anunciar, para breve, a entrada em funcionamento de uma fábrica que poderá diminuir as importações.

A aquicultura é hoje praticada em grande parte do território nacional, do litoral ao interior. Das 15 províncias que produzem o cacusso, o Uíge está no topo com uma produção de 743 toneladas de peixe da espécie tilápia.

 

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