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FINANCIAMENTO. É o segundo relatório, em menos de um mês, a adiantar números do financiamento chinês para África. Ambos colocam Luanda entre os principais destinos, mas pecam por defeito quando comparados aos 50 mil milhões USD adiantados pelo embaixador chinês em Angola.

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O valor acumulado do financiamento chines a Angola, entre 2000 e 2017, está avaliado em cerca de 19,3 mil milhões de dólares, segundo cálculos do VALOR com base nos dados do relatório ‘China-África: O Casamento da Conveniência Vai Durar?’ da FOCAC (Fórum sobre Cooperação China-África), publicado recentemente.

“De acordo com os números compilados pela SAIS-CARI (Iniciativa de Pesquisa em África da China da Escola de Estudos Internacionais Avançados da Universidade Johns Hopkins), Angola foi o maior beneficiário do empréstimo destinado para o petróleo, entre 2000 e 2017. Mas representa 21% do empréstimo acumulado de 92 mil milhões de dólares entre 2000 e 2017”, lê-se no documento.

O valor passa, desta feita, a fazer parte dos vários números disponíveis e utilizados, entre oficiais e oficiosos, para estimar o financiamento chinês e, sequencialmente, a dívida de Angola para com o gigante asiático. No entanto, os números do relatório pecam, por defeito, se comparados aos 50 mil milhões de dólares, adiantandos recentemente pelo embaixador chinês em Angola, Cuim Aimim, numa entrevista à TPA.

Os cerca de 19,3 mil milhões de dólares estão, entretanto, muito próximos dos 16,6 mil milhões de dólares fixados pela unidade de investigação AidData, da universidade norte-americana de William & Mary, num trabalho tornado público em Outubro último. O mesmo coloca Angola como o terceiro destino do financiamento chinês no mundo, superado apenas pela Rússia e Paquistão no período entre 2000 e 2014. Os acordos tornados públicos oficialmente mostram que as duas investigações pecam, no entanto, por defeito.

Um dos maiores destinos do dinheiro chinês

A investigação da FOCAC coloca, por sua vez, Angola como o principal beneficiado do financiamento chinês na África Subsaariana (objecto de estudo do relatório), seguindo-se a Etiópia com 14,2% e o Quénia com 7,4%. Sudão com 7,0%, Camarões com 4,0% e a Nigéria com 3,8% colocam-se nas posições imediatas.

“A ajuda da China a África abrange uma ampla gama de campos, como agricultura, educação, transportes, energia, comunicações e saúde. Em termos sectoriais, os transportes e os serviços públicos (energia e água) representam a parte do leão (32% e 28%, respectivamente); seguido pela mineração e comunicação”, adianta.

No que diz respeito à relação entre Angola e a China, o documento lembra que, apesar de Angola ser um dos principais fornecedores da China mesmo antes de 2002, “a relação transcendeu os fluxos comerciais alguns meses depois de Beijing aprovar um empréstimo de dois mil milhões para Angola”.

Lembra que, na sequência do referido acordo, a Sonangol e a Sinopec (um dos produtores chineses de petróleo e gás) rubricaram uma parceria no sentido de facilitar “a estrutura de negócios”, também conhecida como “recursos por infra-estrutura”, no qual o reembolso de empréstimos para desenvolvimento de infra-estrutura concedido pela China é feito em termos de exportações de petróleo bruto.

O relatório sublinha que o referido modelo se tornou “uma referência para outros mercados emergentes em África e não só”, sublinhando que “a queda nos preços do petróleo em 2014 atingiu o relacionamento bilateral com dureza”, viso que “o comércio entre os dois países foi mais do que reduzido pela metade” em termos financeiros, apesar de as exportações em volume se manterem com tendência de aumento.

“O petróleo mais barato levou a um aumento nas exportações angolanas para a China para um recorde de 872 mil bpd em 2016. Os dados mensais da China Customs indicam que Angola está preparada para superar esse recorde em 2017, visto que exportou uma média de 1 milhão bpd entre Janeiro e Agosto de 2017. No entanto, o aumento dos volumes de exportação não compensou a queda nos preços do petróleo em relação ao seu pico de 2014. Este aumento também pode ser de curta duração, especialmente se o governo chinês decidir restringir as importações para enfrentar o excesso de capacidade no sector de refinação.”

Entre as várias conclusões, o relatório sublinha que as exportações angolanas têm uma forte dependência do mercado chinês, atribuindo ao país um índice de dependência de 0,8 numa escala de 0 a 1 onde 1, representa uma dependência completa.

 

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