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DIPLOMACIA. João Lourenço livrou-se da responsabilidade de herdar a liderança de uma região de permanente conflitos civis e étnicos, com uma dinâmica política complexa que ameaçava diminuir-lhe o foco nas questões domésticas.

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Com uma agenda interna que demanda atenção permanente, João Lourenço terá confiado a um conselheiro próximo que iria transferir a presidência da Comissão Internacional da Região dos Grandes Lagos (CIRGL) ao Congo Brazzaville de bom grado.Angola livrou-se da coordenação dos dossiers regionais na semana passada, durante a 7.ª conferência de chefes de Estado da região, realizada em Brazzaville.

A passagem de pastas aconteceu precisamente numa altura em que da RDC, o membro mais instável em matéria de segurança, chegavam notícias que sinalizavam novas movimentações de vários grupos rebeldes opostos a Joseph Kabila.

Os Grandes Lagos abrangem as zonas Este e Central do continente, compreendendo o Uganda, Tanzânia, RDC, República do Congo, Burundi, Ruanda, Sudão e Sudão do Sul, Quénia e Zâmbia. Ou seja, geograficamente Angola está fora.

Único país de expressão portuguesa, a par de Moçambique lá mais para o Índico, a entrada de Angola na organização e o seu papel de coordenador foram vistos como arrojados e decorrentes mais da sua experiência na gestão do seu longo conflito armado. O processo que conduziu à paz em 2002, que exigiu um nível de diplomacia e articulação com os rebeldes, bem como a integração social dos elementos daqueles, conferiram ao país, aos olhos de alguns segmentos internacionais, pergaminhos suficientes para interagir com quem também não se entende há vários anos.

Os Estados Unidos da América e as Nações Unidas foram dois dos principais apoiantes do papel de Angola, sobretudo numa altura em que a zona andava às voltas com a praga da pirataria marítima. Aqui, relevou-se a capacidade material e humana da Marinha de Guerra do país.

“A região constitui uma complexa rede de interacções políticas e económicas com fortes implicações para questões de paz, segurança e governação”, descreve Patrick Kanyangara, da ONG britânica Accord, num estudo publicado no ano passado sobre as origens e os efeitos dos vários focos de instabilidade que grassam adentro.

Kanyangara considera que estes conflitos têm a característica comum de ligar-se a questões de governação, divisões de identidade, violência estruturada e, numa escala gravosa, na exploração e acesso desigual aos recursos do país.

Outra particularidade dos conflitos na zona reside na ligação entre si, pois raras vezes são isolados e confinados a um único país. A partilha de imensas fronteiras e o fraco controlo sobre as mesmas, além das ligações entre centenas de grupos étnicos, contribui para o carácter transnacional dos mesmos. Estas e outras condições propiciam a proliferação de grupos armados, que cruzam as fronteiras, muitas vezes com o desejo, também, de explorar recursos minerais.

A RDC será o caso mais bem elaborado onde interagem esses e outros elementos explosivos. O território abundante em diamantes, ouro, urânio e outros recursos preciosos, aliado a contestações políticas antigas, conformam um conflito que perdura há vários anos e que preocupa o conjunto das nações da zona dos Grandes Lados.

Antes, Angola esteve fortemente envolvida no processo de pacificação da República Centro Africano (RCA), nação da África Central, não pertencente à CIRGL, que entrou numa espiral de instabilidade política e militar. A intervenção de Luanda foi de tal ordem que o Governo chegou a enviar tropas e meios materiais e financeiros para garantir a segurança do regime local. Foi um cenário de profunda instabilidade quando, em 2014, José Eduardo dos Santos acedeu ao apelo dos parceiros africanos, americanos e europeus para liderar a comissão. Aliás, o então chefe de Estado angolano sabia ao que ia. Na altura, vários observadores consideraram que aceitou o desafio por mais outro motivo para além do aclamado traquejo do seu regime na gestão do conflito e pós-conflito interno. Vencedor de uma guerra como poucos e longevo no poder, Dos Santos vira na oferta a oportunidade de dar corpo à velha ambição de projectar a sua influência pelo continente, sem descurar que, no processo, estavam também os norte-americanos.

Note-se que antes, segundo analistas, JES sofrera um revés quando falhou o seu alegado desejo de reunir em privado com o então presidente norte-americano Barack Obama, à margem de uma cimeira EUA-África que decorreu na Casa Branca. Enviou o seu vice-presidente, Manuel Vicente.

 

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