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PRESIDENTE DA REPÚBLICA. Depois de uma ´travessia no deserto’, João Loureço é empossado no cargo de Presidente da República nesta terça-feira. Nas linhas que se seguem, o perfil do homem que se propõe moldar os destinos do país nos próximos cinco anos.

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Angola testemunha, amanhã, a chegada ao poder do segundo Presidente da República eleito por sufrágio universal, e o terceiro desde a Independência.

Além de substituir José Eduardo dos Santos, que esteve 38 anos no poder, João Lourenço faz ainda história por ter chegado ao mais alto cargo do Estado angolano 13 anos depois de publicamente ter manifestado esse desejo.

Em 2001, José Eduardo dos Santos anunciou a intenção de abandonar o cargo de Presidente da República, lançando o desafio de substituição aos seus camarada do partido. Três anos depois, João Lourenço, secretário-geral do MPLA, enfatizou que dos Santos era um homem de palavra, mostrando-se disponível para substituí-lo como novo chefe de Estado.

Não se sabe ao certo se decorrente dessas declarações, o facto é que Lourenço conheceu o que vários analistas, na altura consideraram de ostracismo político, durante o qual viu o seu chefe candidatar-se, de bom grado, a mais duas eleições.

Depois de, pela primeira vez, ter conseguido ser eleito, José Eduardo dos Santos decide abdicar do poder, abrindo portas para o único político no MPLA que manifestou o desejo de substituir o sucessor de Agostinho Neto.

Em 2014, João Lourenço recebeu publicamente o primeiro sinal de que viria a assumir os destinos do país, quando foi ‘resgatado’ do Parlamento, onde esteve 11 anos como primeiro vice-presidente, para ministro da Defesa. Nessa altura, nem mesmo os analistas e observadores mais atentos poderiam vislumbrar as reais intenções de José Eduardo dos Santos, não fosse a incerteza e confusão política uma das armas e artifícios que usou com mestria durante o seu consulado.

Dois anos depois, aquele que se apresta a ocupar a Cidade Alta foi apresentado como vice-presidente do MPLA e candidato pelo partido a Presidente da República. Estavam, assim, dissipadas as dúvidas e lançado o desafio ao partido governante e à sociedade.

Amanhã, na Praça da República, João Lourenço fará o juramento e receberá do presidente do Tribunal Supremo os símbolos que o tornarão no novo chefe de Estado, o zénite de uma carreira política que começou em 1974, quando ingressou na intricada luta de libertação nacional a partir do antigo Zaíre.

PERFIL DO NOVO PR

General da reforma, João Lourenço foi ministro da Defesa entre 2014 e 2017. Durante 11 anos, exerceu funções de primeiro vice presidente da Assembleia Nacional pelo seu partido, cujo Comité Central integra desde 1985. É ainda vice de José Eduardo dos Santos no MPLA desde o ano passado.

Casado com Ana Dias Lourenço e pai de seis filhos, João Lourenço nasceu a 5 de Março de 1954 na cidade do Lobito, em Benguela, filho de Sequeira João Lourenço, enfermeiro natural de Malanje, e de Josefa Gonçalves Cipriano Lourenço, uma costureira natural do Namibe, ambos já falecidos.

Viveu no Bié, onde fez o ensino primário e secundário. Segundo o MPLA, a sua família viveu em residência vigiada durante 10 anos, após ter estado de 1958 a 1960 na prisão de São Paulo, em Luanda, por actividades políticas clandestinas, enquanto enfermeiro do Porto do Lobito.

Em Luanda, estudou na emblemática Escola Industrial de Luanda e Instituto Industrial de Luanda. Em 1974, junta-se à causa da luta de libertação nacional, tendo feito a sua primeira instrução político-militar no Centro de Instrução Revolucionária (CIR) Kalunga.

Integrou o primeiro grupo de combatentes do MPLA, que entraram em território nacional via Miconge, em direcção à Cabinda, após a queda do regime colonial português.

Após a independência, fez formação em artilharia pesada e foi comissário político em diversos escalões, desde pelotão, companhia, batalhão, brigada. Entre 1977/78, foi comissário político da Segunda Região Político-Militar em Cabinda.

Em 1978, parte para a União Soviética, onde, para além da formação militar, obteve o título de Mestre em Ciências Históricas, na Academia Político-Militar V.I. Lénine. De 1982 a 1983, participou nas operações militares no centro do país, Kwanza-Sul, Huambo e Bié, com posto de comando no Huambo.

De 1983 a 1986, foi designado comissário provincial do Moxico e presidente do Conselho Militar Regional da 3.ª Região Político Militar. Em 1986, o Presidente da República indigita-o para as funções de primeiro secretário do comité provincial do MPLA e de comissário provincial de Benguela. Permanece nesse papel até 1989. Nessa altura, o mundo começava a testemunhar a derrocada do império soviético e da sua ideologia comunista, que tinham sido preponderantes na formação política de João Lourenço e todos os seus camaradas de topo.

Entre 1989 e 1990, o discreto e pouco falante João Lourenço chefiou a Direcção Política Nacional das extintas FAPLA, cargo a partir do qual ascendeu a general. De 1991 a 1998, foi secretário do Bureau Político para a Informação e, cumulativamente, por um curto período, secretário do Bureau Político para a Esfera Económica e Social. Liderou também a bancada parlamentar do maioritário.

Praticou futebol não-profissional e os mais chegados conhecem-no também como um aficionado de karaté. Fala inglês, russo e espanhol.

ANA DIAS LOURENÇO

Uma primeira-dama ‘tecnocrata’

Ana Dias Lourenço frequentou o Palácio da Cidade Alta durante vários anos para encontros de trabalho. A partir de amanhã, será a dona de casa da residência na Colina de São Miguel.

Ana Afonso Dias Lourenco2

A esposa de João Lourenço nasceu em Luanda a 13 de Abril de 1957 e formou-se em Economia pela Universidade Agostinho Neto. Fez formação complementar em gestão de projectos, análise e avaliação de projectos. Também superou-se em de gestão de políticas macro-económicas, pelo Instituto de Desenvolvimento Económico do Banco Mundial (BM).

Do seu percurso profissional destacam-se os cargos de monitora da Faculdade de Economia da Universidade de Angola, chefe do departamento de Investimentos do Ministério do Planeamento, técnica superior responsável pelos programas de desenvolvimento da província de Benguela, directora nacional e coordenadora dos projectos de reabilitação de Infra-estruturas financiados pelo Banco Mundial.

Entre 1997 e 1999, foi vice-ministra do Planeamento, ministra do mesmo pelouro entre 1999 e 2012, e presidente do Conselho de Ministros da SADC, em 2002-2003. Fruto dessas funções, gozava já de um raro prestígio regional e internacional, condição que reforçou com a sua nomeação, entre 2014 e o ano passado, para directora executiva no Conselho de Administração do Banco Mundial. Nessa função, era o primeiro ponto de contacto entre a instituição e Angola, Africa do Sul e Nigéria. “A minha experiência nos últimos quatro anos sobre este Conselho tem sido verdadeiramente inspiradora e bastante estimulante. Saio com boas memórias de uma instituição com grandes talentos que trabalham arduamente em todo o mundo para cumprir o seu duplo objectivo, que é o de acabar com a pobreza extrema e aumentar a prosperidade partilhada de forma sustentável”, disse , durante uma cerimónia de despedida na sede do banco, em Washington.

A sua actuação profissional incide, principalmente, sobre programação de investimentos, preparação, avaliação e acompanhamento de projectos do Programa de Investimentos Públicos. É ainda versada em análise macroeconómica, preparação, gestão e acompanhamento dos programas de cooperação com o sistema da ONU, UE, Banco Mundial, entre outros.

Posse

Cerimónia sem Oposição

O secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, foi convidado a assistir à cerimónia de posse do presidente eleito de Angola, o general João Lourenço, que decorrerá no próximo dia 26, em Luanda. O convite foi feito pelo presidente em funções, José Eduardo dos Santos, e entregue pelo representante permanente de Angola junto das Nações Unidas, em Nova Iorque, o embaixador Ismael Martins.

O presidente de Portugal, Marcelo Rebelo de Sousa, e ex-presidente da comissão europeia, Durão Barroso, estão também entre as personalidades estrangeiras de relevância política convidadas a assistir à cerimónia. Ao lado do chefe de Estado português, estarão igualmente os mais altos representantes de Espanha e do Brasil.

Até ao fecho desta edição, as autoridades não haviam divulgado a lista oficial de convidados estrangeiros, mas sabe-se que a Praça da República deverá receber cerca de mil convidados, entre os quais representantes de todos os países da Comunidade de Países de Língua Portuguesa (CPLP). A nível interno, a oposição já anunciou que estará ausente.

 

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