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SEGURANÇA ALIMENTAR. Produtores nacionais rebatem dúvidas das autoridades e esclarecem que Angola nunca deixou de importar ovos, e em grandes quantidades. Lamentam as condições em que têm de operar, mas apontam soluções para se manterem no mercado sem prejudicar o bolso dos consumidores.

Marcos Nhungaministro da agricultura201609086918

 

Depois de garantir à União Europeia que ovos contaminados não haviam entrado em Angola, o Ministério da Agricultura e Desenvolvimento Rural (Minader) recuou e anunciou, na semana passada, a abertura de um inquérito junto dos importadores para apurar se houve ou não importação desse produto.

A mudança resultou de várias reacções, sobretudo de produtores e da Associação Nacional dos Avicultores de Angola (ANAVI), que desconfiaram da possibilidade de o produto em causa ter entrado no país.

Ao VALOR, vários produtores reafirmaram que, apesar de ter capacidade instalada para atender o consumo interno, o país nunca deixou de trazer ovos de fora. Rui Santos, presidente da ANAVI, contabiliza que Angola continua a importar entre 45% e 50% do produto consumido.

“Não há nada a esconder. Angola continua a importar ovos, apesar da definição de uma quota. Há ovos a entrar com licenças falsas”, denunciou, por sua vez, Elisabeth Dias dos Santos, administradora da fazenda Kikuxi, a maior produtora nacional de ovos. Recentemente, a União Europeia comunicou a Luanda que Angola se encontrava entre os 19 países que receberam ovos contaminados com ´fipronil´, um insecticida tóxico. Segundo Bruxelas, a sede comunitária, a contaminação partiu da Bélgica e da Holanda.

Em 2015, as autoridades nacionais queimaram várias quantidades de ovos por supostamente terem entrado no país de forma ilegal e sem qualquer certificação sanitária. No mesmo ano, o Governo decretou uma quota máxima de importação de produtos da cesta básica, sendo que, para ovos, estabelecia 156 milhões de unidades, números passíveis de revisão todos os anos em função da capacidade interna.

O chefe do departamento da Sanidade Animal dos Serviços de Veterinária do Minader, Norberto Pinto, admite apenas a importação de “ovos férteis”, situação que, garante, não constitui “qualquer perigo para a saúde humana”, mesmo em caso de contaminação.

Segundo o responsável, os produtores usam ovos férteis para a incubação e reposição, mas assegura que, mesmo em caso de contaminação durante o processo, a mesma não chegaria ao mercado de consumo. Isto porque, de acordo com o também médico veterinário, “haveria morte embrionária”. Neste sentido, Norberto Pinto informou que, embora Bruxelas tivesse notificado as autoridades nacionais, não foram conduzidas quaisquer investigações. Como sublinhou, só mais tarde, face à repercussão da situação, o Minader decidiu-se pela abertura de um inquérito junto dos importadores de ovos e frangos.

ASSOCIAÇÃO DE “BAJULADORES”

Apesar de ser a maior produtora de ovos do país, a Fazenda Kikuxi está de fora da ANAVI. Elisabeth dos Santos, sua administradora, disse ao VALOR que a decisão é pessoal, porque entende que a Associação é dirigida por “ bajuladores” que, em vez de defenderem a produção interna, permitem a importação de ovos. “Os produtores nacionais, grandes e pequenos, conseguem atender o mercado nacional. Entretanto, temos uma associação de bajuladores que não sabem o que defendem. A ANAVI não defende políticas transparentes”, critica.

45% DO VALOR JUSTO

Elisabeth dos Santos defende, por outro lado, que 100 kwanzas seria o preço justo e que faria do negócio lucrativo, mas reconhece que os consumidores teriam mais dificuldade de acesso ao produto.

Actualmente, os produtores de ovo vendem, em média, a unidade a 45 kwanzas, cerca de 45% do preço real, considerando o alto custo das matérias-primas.

“O ovo é um dos produtos mais acessíveis ao público e nunca deverá ser caro. Aqui reside a questão, pois precisamos de baixar os custos das matérias-primas para continuar a garantir que seja acessível”.

Na avaliação da empresária, as produtoras têm estado a fazer vários exercícios para manter o produto acessível, mas a manutenção das dificuldades pode levar ao colapso de muitas unidades e do próprio sector. “Temos planos de contingências mas devemos reavaliar esta situação”, considera, notando que uma solução passaria por ultrapassar o problema das matérias-primas.

Ao exemplificar os “elevados custos de produção”, Elisabeth dos Santos referiu que uma galinha custa, em média, o equivalente a 14 dólares até fornecer ovos, além das despesas com a energia eléctrica e a ração. “Se fizermos as contas, veremos que o ovo, a 45 kwanzas, significa que estamos a trabalhar mesmo sobre a linha da água”.

A gestora estima entre 20% e 30% as margens de lucro do negócio em períodos estáveis. “É um negócio rentável, mas neste momento não. Tudo o que tínhamos como lucro fica para os salários e a matéria-prima.”

Apesar disso, a empresa continua a operar no pico máximo da sua produção e com o mesmo número de colaboradores. Uma realidade que, segundo a gestora, se deve a “condições favoráveis” criadas pelas autoridades. “Os Ministérios da Agricultura e da Economia, com o programa ´Feito em Angola´, criaram uma série de sinergias positivas que nos permitem falar com um entusiasmo muito maior que o sector das pescas”.

A Classiovo é uma empresa integrada no pólo industrial ‘A Pérola do Kikuxi’, com uma capacidade de produção de um milhão de ovos por dia. A Aldeia Nova, no Kuanza-Sul, as estações da Granja Santa Maria, a Socopraves e as fazendas Mato Grosso figuram também entre os principais produtores de ovo no país.

 

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