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MERCADO AUTOMÓVEL. Pagamento de parte da dívida pode contribuir para o crescimento, em 2018, das vendas em cerca de 18%. Em causa, crise de cambiais.

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A dívida acumulada dos últimos 14 meses do conjunto de concessionária e representantes de automóveis da Associação dos Concessionários de Equipamentos de Transportes Rodoviários (ACETRO) para com os fornecedores externos está estimada em cerca de 180 milhões de dólares.

A dívida resulta da dificuldade de transferência de divisas, sendo que o pagamento de, pelo menos, parte do montante poderia implicar o fim ou a interrupção da tendência de quebra das vendas dos últimos anos, segundo o presidente da Associação, Nuno Borges. O responsável da ACETRO prevê, no entanto, 2018 como um ano de “alguma recuperação da procura”, antecipando um cresicmento de 18,5% do mercado automóvel, em alinhamento com as expectativas “de alguma recuperação económica” do país.

A previsão de crescimento é, entretanto, “significativamente” condionada, ao pagamento de parte da dívida a fornecedores externos, de acordo com a disponibilidade de divisas na segunda metade de 2017. “Sem amortização de alguma parte desta dívida, não será possível repor os stocks de viaturas, o que irá afectar o volume de vendas previsto para 2018”, alerta Nuno Borges, acrescentando que a ACETRO procura manter o Ministério dos Transportes “sistematicamente informado sobre as dívidas, de modo a que se faça pressão sobre o BNA”.

Enquanto isso, as empresas deparam-se com a “dura” realidade de quebras nas vendas, iniciadas em 2015, quando se registou uma redução de 53,8%, face às 44.536 viaturas vendidas em 2014. Seguiram-se quebras anuais de 55,4% e de 42,5%. A tendência mantém-se para o ano em curso, considerando os números do primeiro semestre que indicam uma redução de cerca de 56%, comparativamente às vendas de 5.698 unidades no período homólogo.

Para os últimos seis meses, a associação perspectiva vender 2.785 unidades, o que representaria uma quebra de cerca de 20% face ao mesmo período de 2016.

RECEITAS COM QUEBRAS MENORES

Conforme os dados da ACETRO, o volume de negócio das concessionárias também registou alguma redução, mas em menor escala, comparativamente à redução das unidades vendidas, facto que se deve à venda de peças de assistência. Para 2017, Nuno Borges estima uma quebra global nas vendas de cerca de 12%, face aos 1,5 mil milhões de dólares de 2014, ano de início da crise e período em que a contribuição do sector para os cofres do Estado rondou os 500 milhões de dólares. “Com uma quebra de vendas em 2017 para cerca de 12% de 2014, podemos estimar que as receitas do Estado provenientes do nosso sector tenham caído para cerca de 10%, tendo em conta a quebra nos lucros (menos imposto industrial), despedimentos (menos IRT), impostos relacionados com as importações e imposto de selo”, calcula.

EM LINHA COM AS PROPOSTAS DA PAUTA ADUANEIRA

Em relação às alterações na Pauta Aduaneira, e mais especificamete as que dizem respeito ao mercado automóvel, Nuno Borges adianta que, no geral, a ACETRO “concorda com as propostas”. A explicação é o facto de se tratar de uma Pauta “que se aproxima do que se pratica na África austral (Pauta Harmonizada) e que teve em atenção a redução de taxas em veículos comerciais”.

Borges alerta, no entanto, para o facto de alguns ‘pick-up’ utilitários passarem a ser taxados como modelos de luxo. “O ‘pick-up’ acima dos 3.500cc sofreram um aumento de 38%, o que, apesar de enquadrar alguns modelos considerados de alta gama/luxo, afecta negativamente os mais utilitários do tipo Land Cruiser Pick-up (utilizados pelas forças de defesa e segurança por exemplo)”, explica.

Há ainda uma redução de 1% nos ‘station wagon’, considerados de topo de gama, mantendo-se as mesmas taxas em todos os restantes. A designação SUV (sport utility vehicle) é retirada da nova Pauta e a classificação passa a ser feita pela cilindrada e categoria ou tipo de utilização.

Segundo ainda as propostas, os SUV e pick-up cabina dupla de até 3.500cc sofrem uma redução de 20% no imposto de consumo e são isentos de taxa de luxo de 1%. Têm assim uma redução total de 21%. Em relação aos veículos usados, a Pauta, que deverá entrar em vigor em 2018, estabelece uma taxa de 10% acima dos novos, uma medida também aprovada pela ACETRO. “Temos de ter em conta que, para além deste adicional de 10%, não é permitido importar veículos com mais de três anos para ligeiros de passageiros e comerciais e de oito anos para camiões”, refere.

FIAT LIDERA

Olhando para as viaturas mais vendidas no semestre, a liderança é da FIAT com cerca de 19 unidades em cada 100 carros vendidos. Em termos homólogos, registou, entretanto, uma quebra de cerca de 34%, face às 720 unidades comercializadas nos primeiros seis meses de 2016.

No global, as representantes da ACETRO venderam, no primeiro semestre deste ano, 2.493 unidades, 11,55% das quais reclamadas pela KIA, que foi a segunda marca mais comercializada, seguindo-se a Renault com 9,71% das vendas.

A ACETRO é constituída por 24 empresas em representação de 42 marcas, que perfazem cerca de 30% do mercado automóvel. Estima-se que o o conjunto do sector empregue cerca de 10 mil pessoas, sendo que apenas a ACETRO já dispensou cerca de 55% dos trabalhadores, desde 2015.

 

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