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AGRO-INDÚSTRIA. Executivo pretende enquadrar bens alimentares angolanos numa reserva estratégica. O plano deve ser apresentado já em Junho deste ano. O grande problema: o país produz apenas 2% do que consome.

 

 

O Executivo angolano criou um Grupo Técnico Intersectorial para conceber o que designa de Reserva Estratégica Alimentar do Estado, uma iniciativa que terá como objectivo armazenar produtos alimentares necessários em momentos de crise alimentar.

Para já, a inserção de produtos de produção nacional constitui o principal desafio. Técnicos do Ministério da Agricultura consideram o feijão, milho e arroz produzidos localmente sérios candidatos para essa reserva, mas os seus colegas do Ministério do Comércio olham para o cenário com cautela, devido à fraca produção nacional.

Para resolver esse problema, o Executivo pretende lançar mão a alguns dos principias projectos agropecuários criados nos últimos dez anos. Trata-se de 13 fazendas espalhadas pelo país.

Sob gestão da Gesterra, empresa de capitais públicos, esses projectos têm como objecto social a gestão e exploração das terras aráveis e que constituem Reserva Estratégica do Estado. O Estado conta ainda com a contribuição de fazendas privadas e de projectos de agricultura familiar.

O Ministério do Comércio estima, entretanto, que essa “conjugação de esforços” garante apenas 2% do consumo nacional, pelo que 98% – avaliado em dois mil milhões de dólares – teria de vir de fora.

O ministro da Economia, Abrahão Gourgel, tinha já alertado para a necessidade de privatizar as fazendas do Estado, visando torná-las mais produtivas. O presidente do conselho de administração da Sociedade de Desenvolvimento do Pólo Agro-industrial de Capanda, Carlos Fernandes, havia sugerido a refundação das empresas públicas ligadas à agro-indústria.

O VALOR continuará a acompanhar o desenvolvimento deste plano governamental para as próximas edições.

 

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