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INDÚSTRIA. Ministério da Indústria prevê criação de cerca de três mil empregos, quando Pólo Industrial da Caála estiver em pleno funcionamento.

 

Cerca de 55 investidores arriscam-se a perder o direito de superfície, no Pólo de Desenvolvimento Industrial da Caála (PDIC), no Huambo, por não implementarem os projectos empresariais, mais de dois anos depois de terem adquirido os espaços.

Actualmente, apenas sete fábricas foram instaladas, desde 2010, ano oficial da abertura do PDIC, enquanto 96 empresários solicitaram terrenos. O VE apurou, no local, que, dos 50 investidores que estão em risco de perder os títulos provisórios, pelo menos, sete são membros do Governo. “É por isso que o Pólo parece estar numa situação de abandono, mas os espaços estão todos cedidos”, justifica o gestor do PDIC, Paulino de Carvalho.

As obras de infra-estruturação do pólo teriam já arrancado, mas ficaram condicionadas “pela crise financeira”. Paulino de Carvalho explicou, no entanto, que o Ministério da Indústria já encontrou um parceiro privado que deverá financiar a empreitada, sem avançar o valor orçamental. Energia, água, linhas de telecomunicação, valas de drenagem e tapete asfáltico estão entre as necessidades do parque industrial.

 

 

FERPLAS, A PRIMEIRA

 

O primeiro grupo empresarial a instalar-se no Pólo Industrial da Caála foi a FerPlas. Embora, oficialmente, o pólo tenha sido aberto em 2010, dois anos antes, a FerPlas já se encontrava a operar no local. O grupo tem duas unidades fabris: uma de mobiliário de madeira e outra de componente de material eléctrico (caixas de aparelhagens, de interruptores e tomadas).

O primeiro segmento de negócio (fábrica de mobiliário) teve um investimento de 1,8 milhões de dólares, enquanto a linha de produção de material eléctrico teve um custo de investimento na ordem dos 1,5 milhões de dólares. A capacidade de produção instalada, nesta última unidade fabril, é de 20 milhões de caixas de tomadas e interruptores, mas a empresa nunca atingiu esta cifra, sendo que o grupo pretende ainda investir três milhões de dólares na construção de plataformas logísticas.

O administrador da FerPlas, Pedro Silva, lamentou, no entanto, a falta de infra-estrutura da zona industrial da Caála. “Não abastecendo o pólo com energia é evidente que não haverá muitos investidores interessados nesse campo industrial. Sem energia, água e comunicação é muito difícil. A água que temos aqui ou é de cacimbas ou os nossos carros vão buscar ao rio. Não temos qualquer tipo de infra-estrutura no pólo.”

O PDIC abrange uma área de 1.087 hectares, divididos em duas faces. A primeira face compreende 595 hectares e a segunda 492 hectares. Tem uma área de 125 hectares, com fábricas de carteiras e mobiliários, alumínios, perfis e estruturas metálicas. Estão também instaladas fábricas de artefactos de cimento, colchões e reservatórios de água. O Governo prevê criar cerca de 2.902 empregos, quando o pólo estiver a funcionar em pleno, mas, nesta primeira fase, geram-se já 125 empregos. O custo de aquisição do espaço está cotado em um dólar por metro quadrado.

 

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