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REVELAÇÃO.Programa de Aquisição de Produtos Agro-Pecuarios nasceu de um projecto privado. Governo mudou de nome e afastou os seus mentores. As queixas são do administrador do grupo Drago Investment.

 

O projeto original daquilo que é actualmente conhecido como PAPAGRO tinha o nome de ‘Rede Camponesa’, seria implementado por esta entidade privada do grupo Drago Investment e contava com um investimento inicial estimado em 25 milhões de dólares.

A revelação é do empresário Gentil Viana, administrador do grupo Drago Investment, que avança que o projecto previa a construção de armazéns, 100 lojas, seis naves, quiosques, entre outros espaços da cadeia agrícola nas 18 províncias. “O objectivo era facilitar o escoamento dos produtos agrícolas”, esclarece Viana, acrescendo que as autoridades, “depois de analisarem o projecto, o consideraram interessante, abordaram os seus mentores e sugeriram que deixasse de ser privado para ser assumido pelo Governo”. Segundo Viana, a comissão do Conselho de Ministros que trabalhou com os mentores do projecto garantiu, na ocasião, que a Rede Camponesa teria o papel de operacionalizar o PAPAGRO, “promessa que, entretanto, não foi cumprida”.

O empresário critica a “incoerência” do Governo, ao mudar o nome do projecto, além de afastar os seus mentores e proibi-los de fazer comentários. “Fomos afastados e proibidos de fazer pronunciamentos nas reuniões do PAPAGRO”, denuncia o gestor, ao mesmo tempo que anuncia a ‘retomada’ da iniciativa. “O grupo Drago vai avançar com o seu projecto inicial, a Rede Camponesa, actualmente com 60 empresas, ainda que o PAPAGRO seja reactivado, porque já não nos revemos nele”.

Para Gentil Viana, a economia “está a produzir muito” e há pouco sistema de absorção, daí a necessidade da criação de uma cadeia de negócio estruturada, “com uma ligação lógica”. O empresário considera “inaceitável” que, 14 anos após um fim da guerra, quem produz ainda venda em “locais improvisados” e que haja indústrias com dificuldades de obter matéria-prima à porta e em quantidades devido a problemas de escoamento.

Contactado, o gabinete de comunicação institucional do Ministério do Comércio (MINCO) respondeu que o titular da pasta remeteu o assunto ao secretário de Estado Jaime Fotunato que, ao fecho desta edição, estava incontactável. Segundo o GCI, o governante estaria numa província em trabalho. O VALOR tentará trazer a reacção do MINCO nas próximas edições.

FALHAS DO PAPAGRO

O actual ministro do Comércio, Fiel Constantino, sempre que abordado, tem preferido não atribuir culpas a ninguém sobre as falhas do PAPAGRO. Gentil Viana considera, no entanto, que as falhas partiram do princípio. “Um projecto como o PAPAGRO, seja qual for o nome que lhe for atribuído, deve ser implementado pelos privados por via de financiamentos bancários e não pelo Estado”, observa, defendendo que o Estado deve apenas apoiar na criação de condições. “As pessoas que superintendiam o PAPAGRO pensaram o contrário”, assinala. “A dado momento o Estado deixou de dar dinheiro por via do BPC quando viu que não tinha o retornou e o projecto morreu. Houve ainda uma tentativa tardia de passar ao privado com a atribuição de carros mas era tarde, o Estado já se tinha endividado”, lembra.

Em Junho do ano passado, os mentores do PAPAGRO escreveram ao gabinete do Presidente da República, manifestando a necessidade da reavaliação do projecto. “Na mesma semana, responderam-nos que está a ser reavaliado, no entanto, contínua inoperante”.

O Programa de Aquisição de Produtos Agro-Pecuários foi lançado em Novembro de 2013, no município do Chinguar, no Bié. Na altura o Ministério do Comércio estava sob o comando da então ministra Rosa Pacavira a cuja gestão a maioria dos observadores atribui responsabilidades pelo falhanço do projecto.

 

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